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BIM Aplicado à Engenharia: Conceitos, Usos e Resultados

A Revolução Silenciosa da Construção Civil

A transformação digital na construção civil não é mais uma pauta de futuro: ela já está acontecendo — e, na prática, quem não se adapta começa a perder eficiência, previsibilidade e competitividade. Nesse cenário, o BIM (Building Information Modeling) se tornou a metodologia mais relevante porque não é apenas um “novo jeito de desenhar”, e sim um novo jeito de pensar, organizar e executar projetos e obras.

O que muda quando uma empresa migra do modelo tradicional (CAD + planilhas + decisões “na obra”) para BIM?

Muda o centro de gravidade do processo:

  • sai do improviso e vai para a previsibilidade;
  • sai do retrabalho e vai para a compatibilização antecipada;
  • sai de documentos desconectados e vai para um modelo com informação;
  • sai de “cada disciplina por si” e vai para a colaboração coordenada.

E isso tem um efeito direto no que mais importa para o mercado: redução de custo total, redução de prazo e redução de risco.

Por que o CAD não é mais suficiente (e por que isso aparece como custo na obra)

O CAD foi (e ainda é) útil para representação. Mas ele tem uma limitação estrutural: o CAD representa linhas, não “objetos” com inteligência e atributos.

Na prática, isso gera quatro problemas clássicos:

  1. A informação se repete e se contradiz
    Uma mesma parede aparece em planta, corte, elevação e detalhamento. Se alguém altera uma dimensão e esquece de atualizar o resto, nasce um erro silencioso.
  2. Compatibilização vira esforço manual
    Sobrepor plantas e detectar conflitos “no olho” é possível, mas não é escalável. Em empreendimentos complexos, isso inevitavelmente falha — e a obra vira o lugar onde conflitos são resolvidos.
  3. Quantitativos e orçamentos ficam frágeis
    Medições em CAD dependem de disciplina humana, consistência de layers e método. Qualquer desvio vira diferença entre orçamento e obra real.
  4. O “as built” vira um caos
    Quando o que foi construído diverge do que foi desenhado, atualizar tudo manualmente é caro. Resultado: a edificação termina sem um banco de dados confiável para manutenção e reformas futuras.

Ou seja: o problema do CAD não é “falta de 3D”. O problema é que ele não controla bem informação — e construção civil é um setor onde informação errada vira concreto, retrabalho e litígio.

BIM como pilar da Engenharia 4.0: dados, colaboração e rastreabilidade

O BIM entra como resposta a um problema de método. Ele organiza a engenharia como processo industrial: com padronização, rastreabilidade, integração e controle.

O BIM se apoia em três pilares inseparáveis:

  • Tecnologia: softwares, interoperabilidade, ambientes comuns de dados (CDE).
  • Processos: padrões, revisões, entregáveis, nomenclaturas, governança do modelo.
  • Pessoas: cultura colaborativa, capacitação, papéis bem definidos (modelador, coordenador, gestor).

Quando esses três pilares funcionam juntos, acontece algo raro na construção: previsibilidade.

E previsibilidade é o que diferencia “obra que custa o que prometeu” de “obra que estoura e justifica”.

O papel da Barbosa Estrutural na vanguarda tecnológica (BIM com engenharia de verdade)

A adoção de BIM no mercado muitas vezes começa pela arquitetura — e isso é natural, porque o impacto visual é imediato. Mas em termos de risco e custo total, o grande salto de maturidade acontece quando engenharia estrutural e compatibilização entram de forma madura.

É nesse ponto que a Barbosa Estrutural se posiciona:

  • BIM como ferramenta de viabilidade estrutural: vãos, cargas, interferências e detalhamento executável.
  • BIM como ferramenta de prevenção de patologia: minimizar conflitos que viram fissuras, infiltrações, deformações e retrabalho.
  • BIM como ferramenta de gestão: coordenação, critérios de aceite, rastreabilidade técnica.

Em outras palavras: o BIM não é “bonito em 3D”. Ele é um método para reduzir incerteza e elevar qualidade — e isso é engenharia aplicada.

Desconstruindo o BIM: muito além da modelagem 3D

Para dominar o BIM (e não apenas “usar software”), é preciso entender o que ele é em essência.

Definição técnica: BIM é gestão da informação do ativo ao longo do ciclo de vida

BIM é um conjunto de processos para criar, organizar, compartilhar e manter informações digitais de um empreendimento ao longo do seu ciclo de vida:

  • concepção e estudo preliminar;
  • projeto executivo e compatibilização;
  • planejamento e execução (obra);
  • comissionamento e entrega;
  • operação e manutenção;
  • reformas, retrofit e expansão.

A grande mudança é que o BIM cria um modelo em que cada elemento é um objeto com propriedades:

  • geometria (dimensões, posição);
  • materiais e especificações;
  • desempenho (quando aplicável);
  • custo (5D);
  • tempo e sequência (4D);
  • manutenção e vida útil (7D).

Isso permite que o projeto seja mais do que desenho: ele vira base de decisão.

BIM não é software (mas depende de software): metodologia vs ferramenta

Um erro comum é achar que “fazer BIM” é comprar licença de um programa.

BIM é metodologia. O software é o meio.

Você pode ter:

  • software caro e processo ruim → resultado ruim.
  • software adequado e processo bom → resultado excelente.

O que define “ser BIM” é:

  • padrão de modelagem;
  • governança de revisões;
  • responsabilidades claras;
  • compatibilização;
  • ambiente compartilhado de dados;
  • entregáveis bem definidos.

Sem isso, você tem apenas “3D bonito”.

Os pilares: Tecnologia, Processos e Pessoas (o triângulo que decide o sucesso)

Tecnologia

  • ferramentas de modelagem (arquitetura, estrutura, MEP);
  • ferramentas de coordenação (clash detection e federação);
  • ferramentas de planejamento (4D) e custo (5D);
  • ambiente comum de dados (CDE) para garantir “uma fonte da verdade”.

Processos

  • plano de execução BIM (BEP/BXP);
  • padrões (nomeação, classificação, codificação);
  • níveis de desenvolvimento (LOD);
  • fluxos de aprovação e emissão.

Pessoas

  • equipe treinada;
  • papéis claros: modelador, coordenador BIM, gerente de informação;
  • cultura colaborativa (a disciplina não trabalha “para si”, trabalha para o sistema).

Quando o triângulo falha, o BIM vira frustração.

Parametrização: a inteligência por trás dos objetos digitais

No BIM, uma parede não é “duas linhas paralelas”. Ela é um objeto com parâmetros:

  • espessura e composição (camadas);
  • material e propriedades;
  • altura e restrições (níveis);
  • relação com portas, janelas, lajes;
  • quantitativos associados;
  • regras de interferência e detalhamento.

Isso significa que uma alteração pode propagar consistência pelo modelo:

  • se muda um nível, muda o que depende dele;
  • se muda uma parede, ela atualiza quantidades e vistas;
  • se muda um componente, ele atualiza documentação.

Essa “inteligência” é o que reduz erro humano e aumenta confiabilidade.

O BIM como “fonte única da verdade” (e por que isso muda gestão de obra)

Um dos maiores ganhos do BIM é o conceito de centralização: existe uma base confiável para consulta e atualização. Isso reduz:

  • versões conflitantes (“a planta certa é qual?”);
  • compra errada por desenho antigo;
  • execução com informação desatualizada;
  • disputa entre disciplinas (“no meu desenho não estava assim”).

Essa ideia se conecta diretamente com o conceito de CDE (Common Data Environment), que veremos nos próximos capítulos — mas já vale antecipar: quando a equipe trabalha com uma fonte única da verdade, a obra se torna um processo controlado.

As 7 Dimensões do BIM: do conceito à operação (e o 8D como segurança)

Uma das formas mais claras de entender o BIM — e, principalmente, de explicar seu valor para clientes, gestores e equipes — é pensar em dimensões. As dimensões não são “moda” ou “selo”. Elas são uma maneira prática de descrever que tipo de informação o modelo carrega e que decisões ele permite tomar.

Em termos simples:

  • o 3D responde “o que é e onde está”;
  • o 4D responde “quando será feito”;
  • o 5D responde “quanto custa (e como o custo muda)”;
  • o 6D responde “qual impacto ambiental/energético e escolhas de desempenho”;
  • o 7D responde “como operar, manter e reformar sem escuro”;
  • e o 8D (aqui como visão avançada) responde “como reduzir risco e aumentar segurança”.

O ponto-chave para a Barbosa Estrutural: quando BIM é usado com maturidade, ele se torna um sistema de gestão de risco técnico, não apenas um sistema de documentação.

Antes de tudo: dimensões não são obrigatórias — elas são um roadmap de maturidade

Nem todo projeto precisa “ter 7D”. O que o mercado precisa é:

  • ter clareza do objetivo;
  • escolher o nível de informação certo para o risco e complexidade;
  • evitar o erro comum: querer “BIM completo” sem capacidade de processar e manter dados.

Uma pequena obra pode ser excelente com 3D + coordenação (clash). Um empreendimento médio pode ganhar muito com 4D/5D. Um ativo corporativo (hospital, shopping, indústria) ganha muito com 7D.

Ou seja: maturidade BIM é progressiva — e o retorno vem de selecionar o que realmente reduz custo e risco.

3D — Modelagem: a geometria com inteligência (a base de tudo)

O 3D no BIM não é “um modelo bonito”. Ele é a base informacional.

O que o 3D entrega na prática

  • consistência entre vistas (planta/corte/elevação);
  • objetos parametrizados (paredes, vigas, dutos, equipamentos);
  • bibliotecas padronizadas com propriedades;
  • extração de quantitativos mais confiável (quando há padrão).

O que muda em relação ao CAD

  • no CAD, você desenha “linhas”;
  • no BIM, você modela “elementos” que carregam dados.

Na engenharia estrutural, isso impacta diretamente:

  • clareza de volumes e interferências;
  • detalhamento coerente com execução;
  • redução de erro por versão (quem trabalha com pranchas isoladas sente isso na pele).

Limitação real do 3D (para não vender ilusão)

Sem processo de coordenação e governança, o 3D vira:

  • modelos paralelos (cada disciplina com “sua verdade”);
  • conflitos detectados tarde;
  • e documentação incoerente.

Por isso, 3D sozinho é só o primeiro degrau.

4D — Tempo: planejamento que deixa de ser “barra no cronograma” e vira sequência construtiva

4D é quando o modelo se conecta ao cronograma, permitindo visualizar a obra no tempo.

O que o 4D entrega na prática

  • simulação de sequência executiva;
  • identificação de gargalos (frentes simultâneas impossíveis);
  • planejamento de logística (acesso, gruas, içamento, áreas de estoque);
  • comunicação clara entre gestão, obra e cliente.

Onde o 4D economiza de verdade

  • reduz equipe parada por conflito de frentes;
  • evita etapas “fora de ordem” que geram retrabalho;
  • antecipa conflitos de acesso e transporte.

Em reformas e retrofit, 4D é ainda mais relevante, porque:

  • existe convivência com operação (condomínio, hospital, indústria);
  • janelas de trabalho são limitadas;
  • o custo de parar uma área pode ser altíssimo.

4D como gestão de risco (leitura Barbosa Estrutural)

Quando você simula a sequência, você consegue prever:

  • em que momento será necessário escoramento;
  • quando uma demolição cria vulnerabilidade;
  • em que etapa um teste deve ocorrer (ex.: estanqueidade antes de fechar).

Isso aproxima BIM do controle técnico real.

5D — Custo: orçamento integrado e controle de mudanças (o “anti-estouro”)

5D é a dimensão que mais interessa ao investidor e ao gestor: custo.

Mas o valor do 5D não está apenas em “orçar”. Está em controlar mudança.

O que o 5D entrega na prática

  • quantitativos extraídos do modelo (com padronização);
  • orçamento vinculado a elementos e sistemas;
  • simulação de cenários (troca de material, mudança de solução);
  • rastreabilidade de impacto financeiro de revisões.

Por que 5D reduz estouro de orçamento

O estouro clássico nasce de mudanças sem controle:

  • muda layout → muda instalações → muda forro → muda quantitativo → muda custo;
  • no método tradicional, isso é percebido tarde;
  • no 5D, o impacto aparece cedo.

Limite real do 5D (para não prometer “precisão cirúrgica” sem base)

5D só funciona bem quando existem:

  • padrão de modelagem e classificação;
  • regras de medição definidas;
  • base de custos coerente;
  • equipe preparada para manter a informação.

Sem isso, o 5D vira um “orçamento bonito” e frágil.

6D — Sustentabilidade/Desempenho: eficiência energética, carbono e escolhas técnicas com evidência

6D é onde BIM se conecta a ESG e desempenho.

O que o 6D entrega na prática

  • simulações de desempenho energético e conforto (dependendo do fluxo);
  • análise de alternativas de materiais;
  • apoio a certificações (quando aplicável);
  • visão de ciclo de vida (durabilidade e manutenção).

Por que isso é tendência forte (últimos 3 anos)

O mercado passou a pressionar por:

  • eficiência de operação (energia e água);
  • relatórios ESG;
  • redução de desperdício;
  • escolhas mais sustentáveis com rastreabilidade.

Mesmo quando o projeto não é “verde”, o 6D ajuda a tomar decisões melhores, com menos achismo.

7D — Operação e Manutenção: o modelo como prontuário técnico do ativo

Para muitos ativos, o maior custo não é a obra. É a operação.

7D é quando o BIM vira um banco de dados do que foi construído, com informação útil para:

  • manutenção preventiva;
  • reformas futuras;
  • substituição de componentes;
  • gestão de risco e compliance.

O que o 7D entrega na prática

  • cadastro de equipamentos (marca, modelo, garantia, vida útil);
  • localização exata de sistemas e componentes;
  • histórico de intervenções;
  • apoio a facility management.

7D é onde o BIM encontra a Engenharia Diagnóstica

A leitura da Barbosa Estrutural aqui é direta:

  • sem histórico confiável, diagnóstico vira “investigação no escuro”;
  • com um modelo/registro bem mantido, diagnóstico vira “decisão rápida”.

Em reformas (especialmente em condomínios e corporativos), 7D reduz:

  • demolição exploratória;
  • tempo de parada;
  • custo de localização de falhas (vazamentos, interferências, rotas).

8D (visão avançada) — Segurança e Gestão de Risco: BIM como prevenção de acidente e falha

Embora “8D” possa variar no mercado, faz sentido tratá-lo como a dimensão de segurança e risco.

O que seria 8D na prática

  • planejamento de segurança por etapa (isolamento, acesso, altura);
  • simulação de áreas de risco e rotas;
  • identificação de interferências que geram acidente;
  • integração com procedimentos e checklists (ex.: permissões de trabalho).

Conexão com a realidade de reforma e condomínio

Em reformas, o risco é alto por:

  • espaço confinado;
  • convivência com ocupação;
  • trabalho em altura (fachada);
  • elétrica e gás.

BIM pode apoiar a segurança ao transformar o risco em algo visual e planejado — não reativo.

BIM na Engenharia Estrutural: precisão, segurança e menos patologias

Se existe um lugar onde o BIM deixa de ser “tendência” e vira vantagem técnica mensurável, esse lugar é a engenharia estrutural.

Isso acontece por um motivo simples: estrutura é o sistema que absorve incerteza. Quando projeto e execução são imprecisos, o custo aparece como:

  • retrabalho (corte, furo, reforço emergencial);
  • patologia (fissuras por deformação, corrosão por infiltração, destacamento);
  • desperdício (superdimensionamento por falta de coordenação);
  • risco (intervenções indevidas em obra, improviso).

Na visão da Barbosa Estrutural, o BIM na engenharia estrutural é relevante não pelo 3D em si, mas porque ele cria um ciclo de qualidade:

modelagem coerente → coordenação com disciplinas → detalhamento executável → redução de interferência → redução de patologia e litígio.

Este capítulo organiza, de forma prática, o que muda quando a estrutura entra em BIM com maturidade.

Estruturas sempre existiram “em 3D” — o BIM entra para controlar informação e interferência

A estrutura sempre foi tridimensional. O problema histórico não era “falta de 3D”. O problema era este:

  • arquitetura altera layout;
  • instalações mudam rota;
  • obra precisa abrir passagem;
  • alguém “resolve” no canteiro;
  • a solução afeta armadura, seção, cobrimento ou rigidez;
  • aparece fissura, flecha, infiltração, corrosão;
  • começa a disputa: “projeto” vs “execução” vs “uso”.

O BIM muda o jogo porque permite que a estrutura seja coordenada com as outras disciplinas antes da execução, com muito mais clareza de:

  • volume real;
  • interferência real;
  • sequência e método;
  • e consequências técnicas.

Integração entre análise estrutural e modelagem: onde mora a maturidade (e onde mora o erro)

Aqui existe um ponto crítico: engenharia estrutural não pode ser “apenas modelagem”.

Estrutura exige:

  • concepção (sistema estrutural adequado);
  • análise (cargas, esforços, deformações);
  • dimensionamento e detalhamento (armaduras, ligações, ancoragens);
  • verificação de desempenho (flechas, fissuração, vibração).

O BIM pode apoiar isso, mas só quando a integração entre modelo e cálculo é feita com método.

O que dá certo (fluxo robusto)

  • modelo estrutural coerente com o sistema real;
  • critérios de troca de informação bem definidos;
  • revisões controladas (versão, data, autor, motivo);
  • detalhamento compatível com execução (não “idealizado”).

O que dá errado (padrão de mercado)

  • modelar bonito para “entrega BIM” e calcular separado, sem reconciliação;
  • alterar modelo sem atualizar cálculo (ou vice-versa);
  • detalhar armadura sem considerar interferências de MEP;
  • entregar modelo que não reflete o “as built” (7D vira mito).

A maturidade está em tratar o BIM como gestão de informação e não como “maquete digital”.

Modelagem estrutural BIM: o que precisa existir para ser útil (não apenas ilustrativo)

Para a estrutura em BIM ser realmente útil, ela precisa carregar pelo menos:

  • eixos e níveis coerentes;
  • elementos estruturais com dimensões e materiais corretos;
  • relações de apoio consistentes (o que apoia em quê);
  • aberturas e rebaixos previstos;
  • zonas de reserva (shafts, passagens, dutos principais) coordenadas;
  • classificação e codificação (para quantitativo e rastreabilidade).

Sem isso, você tem geometria bonita, mas pouco valor para coordenação e obra.

Clash Detection: estrutura x instalações (MEP) — onde o dinheiro é economizado

O “clash detection” (detecção de interferência) é um dos maiores retornos rápidos do BIM.

Em estrutura, os conflitos mais caros são:

  • tubulação atravessando viga;
  • duto atravessando pilar;
  • eletrocalha competindo com rebaixo e armadura;
  • ralos e caixas sifonadas sem espaço em laje;
  • passagens em parede de concreto sem reserva prevista;
  • shafts subdimensionados levando a improvisos.

No método tradicional, muitos desses conflitos só aparecem na obra. No BIM, eles aparecem antes — e isso muda o custo total.

O que a Barbosa Estrutural prioriza na coordenação estrutural

  • proteger elementos críticos (vigas/pilares/lajes em regiões de esforço alto);
  • definir reservas de passagem com antecedência;
  • validar interferências em regiões de armadura densa;
  • garantir cobrimento e espaço de montagem;
  • alinhar soluções com execução (não “solução impossível”).

Clash detection bom não é “tirar print de conflito”. É produzir decisão técnica e atualizar modelos com rastreabilidade.

Prevenção de patologias: BIM como ferramenta indireta de desempenho

Muita patologia nasce de incompatibilidade, não de falta de norma.

Exemplos de patologias que o BIM ajuda a reduzir:

  • fissuras por deformação: quando alvenaria e revestimento não consideram deslocamentos;
  • infiltração e corrosão: quando impermeabilização e detalhes não foram compatibilizados com passagens e ralos;
  • desplacamento: quando base, juntas e método são alterados “na obra” por falta de detalhe;
  • vibração e ruído: quando cargas e apoios não são compatibilizados com uso.

BIM não “cura” patologia sozinho, mas ele reduz as causas sistêmicas mais comuns: improviso e conflito de projeto.

Detalhamento executável: do projeto que “parece certo” ao projeto que “dá para construir”

Uma grande vantagem do BIM na estrutura é elevar o nível do detalhamento, porque o modelo pressiona a consistência:

  • encontro viga-pilar;
  • furos e reservas;
  • nichos e rebaixos;
  • apoios e escoramentos;
  • ligações e transições.

Na prática, isso reduz a distância entre “projeto” e “obra”.

E aqui existe um ponto de autoridade para a Barbosa Estrutural:

“Projeto estrutural bom não é o que fecha no cálculo; é o que fecha na execução sem improviso.”

Quantitativos e engenharia de valor: reduzir desperdício sem reduzir segurança

Quando estrutura é coordenada, aparece uma oportunidade de engenharia de valor:

  • reduzir material por otimização do sistema;
  • diminuir espessuras e volumes onde não é necessário;
  • evitar reforços caros causados por interferência tardia;
  • reduzir perda por corte e retrabalho.

O BIM ajuda nisso porque:

  • dá mais clareza de volumes;
  • permite simular cenários;
  • aumenta consistência de quantitativos.

Mas, novamente, isso só funciona com padrão de modelagem e classificação.

Reformas e retrofit: o BIM estrutural como instrumento de diagnóstico e intervenção

Em retrofit, a estrutura é “o existente”. Aqui, o BIM pode atuar como:

  • modelo do existente (scan to BIM, quando aplicável);
  • base para planejar intervenções;
  • coordenação de reforços, passagens, demolições controladas;
  • documentação para operação e manutenção.

Na engenharia diagnóstica, isso é valioso porque:

  • reduz “quebra exploratória”;
  • acelera tomada de decisão;
  • melhora rastreabilidade do que foi feito.

Interoperabilidade e OpenBIM: a linguagem universal da informação

Quando uma empresa começa a adotar BIM, o primeiro ganho percebido costuma ser visual (modelo 3D) e o primeiro desafio percebido costuma ser operacional: como fazer disciplinas diferentes trabalharem juntas sem virar refém de um software, de uma equipe específica ou de um “arquivo impossível de abrir”.

Esse desafio tem nome: interoperabilidade.

Na prática, BIM não é um modelo. BIM é um ecossistema. E ecossistemas só funcionam quando existe uma linguagem comum para troca de informação.

É aqui que entram:

  • OpenBIM (filosofia de abertura e interoperabilidade);
  • IFC (formato de troca de modelos);
  • CDE (Common Data Environment: ambiente comum de dados);
  • ISO 19650 (padrão de gestão da informação).

Este capítulo é decisivo para posicionar a Barbosa Estrutural como autoridade: empresas maduras não vendem “BIM em software X”. Elas vendem processo de informação robusto, que sobreviverá a pessoas, versões, parceiros e tempo.

O problema real (e comum): cada disciplina trabalha em uma ferramenta — e a obra paga a conta

A realidade do mercado é esta:

  • arquitetura modela em uma plataforma;
  • estrutura em outra;
  • instalações em outra;
  • coordenação em outra;
  • orçamento e planejamento em ferramentas próprias.

Se não existir método e linguagem de troca, acontecem os problemas clássicos:

  • perda de informação na exportação/importação;
  • objetos viram geometria “muda”;
  • nomes e classificações não batem;
  • versões se perdem (“qual é a última?”);
  • equipes param de confiar no modelo e voltam ao PDF.

Quando isso acontece, o BIM vira um “cenário paralelo” e deixa de ser o sistema operacional do projeto.

OpenBIM: o conceito que evita ficar refém de fornecedor e viabiliza colaboração real

OpenBIM é uma abordagem que prioriza:

  • interoperabilidade (troca de dados entre plataformas);
  • padronização (classificações, propriedades, regras);
  • transparência na informação;
  • longevidade do modelo (uso ao longo do ciclo de vida).

A maior vantagem estratégica do OpenBIM para um escritório/empresa é reduzir dependência:

  • de um único software;
  • de um único fornecedor;
  • de um único “especialista” que sabe abrir o arquivo.

Para a Barbosa Estrutural, OpenBIM também é um posicionamento de autoridade: é mostrar que a empresa domina o processo, não o botão.

IFC: o “idioma” de troca de modelos (e por que ele é central)

O que é IFC, na prática

IFC (Industry Foundation Classes) é um formato aberto de intercâmbio de dados BIM, voltado a permitir que:

  • modelos sejam trocados entre softwares diferentes;
  • propriedades sejam preservadas (na medida do possível);
  • coordenação seja feita sem exigir que todos usem a mesma plataforma.

A analogia útil é: IFC é um “PDF inteligente”, mas não só para visualização — para coordenação e extração de informação.

Por que o IFC importa mais para gestão do que para modelagem

Modelar pode ser feito em ferramentas distintas. O que precisa ser consistente é:

  • a informação entregue e compartilhada;
  • as propriedades mínimas para coordenação;
  • a rastreabilidade do que mudou.

IFC é uma ponte para isso.

O que o IFC costuma preservar bem (e o que costuma perder)

O IFC tende a preservar melhor:

  • geometria e posição dos elementos;
  • categorias e tipos (quando bem mapeados);
  • alguns atributos e propriedades (quando padronizados);
  • relações básicas (dependendo do fluxo).

E pode perder ou distorcer:

  • parâmetros proprietários específicos do software;
  • regras internas complexas;
  • famílias muito customizadas sem mapeamento;
  • certos comportamentos paramétricos.

Por isso, maturidade em IFC não é “exportar e pronto”. É definir:

  • quais informações são obrigatórias para o fluxo;
  • como cada disciplina deve modelar para manter consistência;
  • padrões de classificação para não virar bagunça.

CDE (Common Data Environment): a “fonte única da verdade”

Se IFC é idioma, o CDE é o lugar onde a conversa acontece.

O que é um CDE, de forma útil

CDE é o ambiente central onde ficam:

  • modelos e arquivos federados;
  • documentos emitidos (PDFs, pranchas, relatórios);
  • versões e revisões;
  • registros de aprovação e comentários;
  • histórico do que foi entregue e quando.

Em BIM maduro, o CDE resolve a pergunta mais importante da obra:

“Qual arquivo eu devo usar agora, com segurança?”

O que um CDE precisa ter (mínimo)

  • controle de versões (quem subiu, quando, por quê);
  • status do documento (em trabalho, para revisão, aprovado, emitido);
  • fluxo de revisão e aprovação;
  • permissões (quem pode editar o quê);
  • trilha de auditoria (rastreabilidade).

Sem CDE, BIM tende a se desorganizar com o crescimento do projeto.

CDE como instrumento de governança (visão Barbosa Estrutural)

Para engenharia estrutural e diagnóstica, governança é tudo. Porque, em caso de disputa, o que conta é:

  • qual era a versão vigente quando algo foi executado;
  • que revisão foi aprovada;
  • quem alterou o quê;
  • quais alertas foram emitidos.

CDE, nesse sentido, não é ferramenta de TI. É ferramenta de segurança técnica e jurídica.

ISO 19650: o padrão internacional de gestão da informação

O que é a ISO 19650 (sem complicar)

A ISO 19650 é uma norma internacional voltada a organizar gestão da informação em BIM. Ela define princípios e processos para:

  • estruturar entregas e responsabilidades;
  • padronizar nomenclaturas e estados de documentos;
  • organizar fluxos de aprovação;
  • controlar qualidade de informação.

Para o mercado, a ISO 19650 é uma espécie de “NBR de governança BIM”, elevando maturidade.

O que a ISO 19650 ajuda a resolver (problemas reais)

  • caos de nomes de arquivos e revisões;
  • confusão sobre responsabilidades;
  • entregas sem critérios claros;
  • falta de rastreabilidade em mudanças;
  • desalinhamento entre o que foi modelado e o que foi emitido.

Mesmo que a empresa não implemente ISO 19650 formalmente, ela pode adotar:

  • nomenclatura padronizada;
  • estados de documento;
  • trilha de aprovação;
  • requisitos de informação por fase.

Isso já melhora qualidade de forma significativa.

Requisitos de informação: o ponto onde BIM deixa de ser “modelo” e vira contrato

Um erro comum no BIM é “modelar tudo”. O correto é definir:

  • quais informações são necessárias em cada fase;
  • qual nível de desenvolvimento (LOD) é exigido;
  • quais propriedades são obrigatórias;
  • quais entregáveis serão aceitos.

Isso costuma ser formalizado no BEP/BXP (Plano de Execução BIM), que entra no capítulo de implementação.

Para a Barbosa Estrutural, esse ponto é estratégico porque conecta BIM à responsabilidade técnica:

  • informação mínima para coordenação estrutural;
  • informação mínima para interferências com MEP;
  • informação mínima para execução sem improviso;
  • informação mínima para operação e manutenção.

Riscos típicos de interoperabilidade (e como mitigar)

Para que este White Paper seja útil de verdade, aqui estão riscos recorrentes e medidas práticas:

Risco 1 — Objetos sem classificação consistente

  • Mitigação: padrão de classificação e nomenclatura por disciplina.

Risco 2 — Exportações IFC inconsistentes

  • Mitigação: configurar mapeamento, testar fluxo e criar checklist de exportação.

Risco 3 — Modelos “pesados” e improdutivos

  • Mitigação: definir LOD adequado e segmentar modelos por disciplina/área.

Risco 4 — Falta de governança de versões

  • Mitigação: CDE com estados e revisão formal.

Risco 5 — Equipe não confia no modelo e volta ao PDF

  • Mitigação: processo de coordenação com registros, e “modelo como fonte oficial”, não como paralelo.

Gestão de Projetos e Obra: o fim do retrabalho (quando o BIM é usado como processo)

O maior desperdício da construção civil não está no cimento, no aço ou no revestimento. Está no que quase nunca aparece na planilha de orçamento inicial:

  • retrabalho
  • decisão tardia
  • paralisação por conflito
  • improviso por falta de informação

É por isso que BIM, quando implantado com maturidade, muda o “custo total” do empreendimento. Ele desloca o esforço para onde é mais barato decidir: o projeto.

Em termos de gestão, o BIM entrega uma promessa poderosa (e realista): reduzir a distância entre intenção, projeto e execução. Mas isso só acontece quando ele é tratado como processo — não como arquivo 3D.

Neste capítulo, vamos organizar as três engrenagens que mais geram retorno imediato:

  • clash detection (coordenação e interferências)
  • 4D (planejamento e sequência)
  • 5D (custos e controle de mudanças)

E, para manter a autoridade técnica, vamos conectar cada uma delas àquilo que a Barbosa Estrutural conhece profundamente: risco estrutural, risco de patologia e risco de litígio.

Clash Detection: resolver conflitos antes da primeira marretada

O que clash detection é (na prática) e o que ele não é

Clash detection não é “um relatório de milhares de conflitos”. Isso, aliás, é um sintoma de processo ruim.

Clash detection é um processo para:

  • detectar interferências relevantes (hard clashes e soft clashes);
  • priorizar por risco e impacto (segurança, prazo, custo);
  • tomar decisão técnica (quem altera o quê, com qual critério);
  • registrar a decisão e atualizar modelos;
  • emitir entregáveis consistentes.

Ou seja: clash detection é coordenação com rastreabilidade.

Tipos de clash que importam para obra (e por quê)

Hard clash (interferência física)

  • duto atravessando viga
  • tubo atravessando pilar
  • eletrocalha colidindo com rebaixo

Impacto: retrabalho imediato, improviso, risco estrutural se a obra “resolver furando”.

Soft clash (interferência por tolerância/folga)

  • falta de espaço para execução (mão de obra, manutenção)
  • distância mínima não atendida (ex.: isolamento, acesso)
  • conflitos com áreas técnicas e shafts

Impacto: “na teoria cabe, na prática não cabe”. Soft clash é onde surgem gambiarras.

Workflow clash (conflito de processo/seqüência)

  • duas equipes precisando do mesmo espaço ao mesmo tempo
  • impermeabilização planejada depois de instalar algo que deveria vir depois
  • fechamento de forro antes de testar sistema

Impacto: atraso e retrabalho. Esse tipo é onde o 4D ganha força.

O que a Barbosa Estrutural prioriza na coordenação (visão estrutural e diagnóstica)

Coordenação madura não é “deixar todo mundo feliz”. É proteger o sistema crítico.

A prioridade estrutural típica é:

  • evitar furos em regiões de armadura densa;
  • prever reservas e aberturas de forma projetada (não “na obra”);
  • coordenar shafts para não reduzir seção resistente;
  • garantir cobrimento e espaço de montagem;
  • alinhar detalhamento com execução e concretagem.

E a prioridade diagnóstica é:

  • evitar detalhes que gerem infiltração (passagens mal resolvidas);
  • evitar soluções que gerem fissuração por deformação;
  • evitar interfaces sem responsabilidade clara (quem responde pelo encontro?).

O processo de coordenação (mínimo que funciona)

Um processo simples e eficaz:

  1. Modelos por disciplina (arquitetura, estrutura, MEP) com padrão definido
  2. Federação dos modelos em ambiente de coordenação
  3. Rodada de clashes com regras (o que é clash, tolerâncias, filtros)
  4. Reunião de coordenação com decisões registradas
  5. Atribuição de responsáveis por correção (disciplina e prazo)
  6. Nova emissão e verificação (ciclo)
  7. Emissão final para obra com status controlado no CDE

Esse ciclo reduz a chance de “obra como coordenadora”.

4D: planejamento que vira sequência executiva e reduz atraso

O erro clássico do cronograma tradicional

Cronograma tradicional (Gantt) funciona bem para macro. Mas ele não mostra:

  • conflitos de frentes;
  • dependências físicas reais;
  • restrições de acesso e logística;
  • riscos por sequência incorreta.

O 4D conecta cronograma ao modelo e responde:

“O que estará sendo construído exatamente neste período, e quais equipes e restrições existem?”

Onde o 4D economiza de verdade (exemplos práticos)

Exemplo 1: Estrutura e instalações

  • Se a passagem não foi prevista, a obra tende a furar depois.
  • 4D ajuda a garantir que reservas e embutidos ocorram na fase correta.

Exemplo 2: Impermeabilização

  • A falha de sequência é comum: fechar e revestir antes de testar.
  • 4D pode “travar” marcos de aceite (teste de estanqueidade antes do fechamento).

Exemplo 3: Logística

  • Equipamentos e içamento precisam de janela.
  • 4D ajuda a planejar áreas de estoque e rotas, evitando paradas.

4D como controle de risco técnico (o “8D embutido”)

Quando o planejamento vira sequência visual, fica mais fácil identificar:

  • quando há trabalho em altura e necessidade de isolamento;
  • quando existe risco de queda de material;
  • quando há risco de choque elétrico por atividades paralelas;
  • quando o escoramento é obrigatório (e por quanto tempo).

Ou seja: 4D bem usado reduz risco de acidente e falha, não só atraso.

5D: custo integrado e controle de mudanças (o antídoto do “aditivo infinito”)

O custo não explode por “erro”. Ele explode por mudança não controlada

A maior causa de estouro financeiro, na prática, é:

  • mudança de escopo;
  • alteração de material;
  • revisão de layout;
  • incompatibilização de disciplinas;
  • decisão tardia.

5D permite conectar elementos do modelo com composição de custos e responder cedo:

  • “se eu mudar isso, quanto muda?”
  • “qual o impacto por etapa?”
  • “qual o impacto no fluxo de caixa?”

Como o 5D se torna governança (e não só orçamento)

5D não é “um orçamento com modelo”. 5D é:

  • governança de medição;
  • padrão de classificação;
  • controle de revisão;
  • gestão de baseline (orçamento base) vs revisões.

Sem governança, o 5D vira ilusão.

Com governança, o 5D vira instrumento de gestão:

  • protege o contratante contra surpresas;
  • protege a equipe contra cobrança injusta (“isso não estava no escopo”);
  • reduz aditivos por falhas de compatibilização.

O que muda na prática para obra e gestão

  • compras mais alinhadas ao cronograma (planejamento + quantidades);
  • menor desperdício por compra errada;
  • menor parada por falta de material;
  • melhor negociação com fornecedores (previsibilidade).

E, mais importante: reduz o improviso em campo, que é gerador de patologia.

Como isso se traduz em “menos patologia e menos litígio” (visão Barbosa Estrutural)

Patologia e litígio muitas vezes nascem de uma combinação:

  • conflito de projeto não resolvido;
  • mudança em obra sem validação;
  • execução sem critério de aceite;
  • falta de evidência do que foi feito.

BIM (clash + 4D + 5D), quando usado como processo, reduz exatamente isso:

  • conflitos são resolvidos antes;
  • mudanças são controladas e registradas;
  • marcos de aceite são planejados;
  • versões são rastreáveis no CDE.

Isso cria um empreendimento mais defensável tecnicamente — e mais estável financeiramente.

Implementação Estratégica: como migrar para BIM com sucesso (sem travar a operação)

A pergunta mais importante sobre BIM não é “qual software escolher?”. A pergunta é:

“Como implementar BIM sem virar um projeto infinito, caro e frustrante?”

Porque a realidade do mercado é que muitos escritórios e empresas tentam “virar BIM” de uma vez, sem governança, e acabam com:

  • modelos bonitos, mas improdutivos;
  • equipes desmotivadas (“BIM só dá trabalho”);
  • prazos maiores (porque o processo não está maduro);
  • e retorno menor do que o prometido.

Implementar BIM é uma mudança de processo e cultura. Software é parte do conjunto, mas não é o centro.

A seguir, está um roteiro de implementação que funciona na prática — com ênfase no que interessa para a Barbosa Estrutural: engenharia estrutural, compatibilização e redução de risco.

Princípio 1 — Comece pelo objetivo (ROI): qual problema você quer resolver primeiro?

BIM pode resolver muitos problemas. Mas tentar resolver todos de uma vez é o caminho mais rápido para falhar.

Objetivos típicos (com alto ROI inicial):

  • reduzir interferências estrutura x MEP (clash);
  • melhorar detalhamento e diminuir improviso em obra;
  • reduzir retrabalho e revisões conflitantes;
  • ganhar rastreabilidade (CDE + versões);
  • melhorar quantitativos para orçamento (5D básico).

Para a Barbosa Estrutural, os “quick wins” costumam ser:

  • coordenação estrutural com disciplinas;
  • padronização de modelagem e entrega;
  • processo de revisão e emissão;
  • integração com fiscalização e controle técnico (quando aplicável).

Princípio 2 — Defina o Plano de Execução BIM (BEP/BXP): o contrato do processo

O BEP (BIM Execution Plan) ou BXP (Plano de Execução BIM) é o documento que organiza:

  • o que será feito em BIM;
  • por quem;
  • em qual nível de detalhe;
  • com quais entregáveis;
  • em quais datas;
  • com quais padrões de informação.

Sem BEP, BIM vira “cada um faz do seu jeito”.

O que um BEP/BXP precisa ter (núcleo mínimo)

  • objetivos do BIM no projeto (o que ele deve entregar);
  • escopo por disciplina (arquitetura, estrutura, MEP, coordenação);
  • matriz de responsabilidades (quem modela, quem coordena, quem aprova);
  • cronograma de entregas e ciclos de coordenação;
  • CDE definido (onde ficam arquivos, versões, estados);
  • padrão de nomenclatura (arquivos, vistas, folhas);
  • padrão de classificação (como os elementos são codificados);
  • regras de exportação/entrega (IFC, NWC, RVT etc., conforme processo);
  • critérios de qualidade do modelo (checklist de consistência);
  • gestão de issues (como registrar, atribuir e fechar conflitos).

O BEP como ferramenta de proteção (não só “organização”)

Em projetos com múltiplas empresas, o BEP evita:

  • disputa sobre responsabilidade de interferência;
  • entregas “incompletas” que viram retrabalho;
  • mudança de padrão no meio do caminho;
  • modelo sem confiabilidade.

Ele também é um aliado para SEO/GEO quando apresentado como “guia prático”, porque vira referência para outros profissionais.

Princípio 3 — LOD 100 a 500: escolher o nível de detalhe certo (não existe “LOD máximo” por padrão)

LOD (Level of Development) é um conceito central para não inflar custo de modelagem sem retorno.

Uma leitura prática:

  • LOD 100–200: concepção e volumetria (viabilidade)
  • LOD 300: dimensionamento e documentação confiável para execução (na maioria dos casos)
  • LOD 350: interfaces e conexões com mais detalhe (coordenação avançada)
  • LOD 400: fabricação/montagem (pré-fabricação, steel, industrializado)
  • LOD 500: as built (modelo do que foi executado, para operação)

Erro comum: exigir LOD 400 sem necessidade

Isso torna o projeto caro, pesado e lento. O correto é:

  • definir LOD por fase e por disciplina;
  • priorizar regiões críticas (ex.: shafts, casa de máquinas, encontros complexos);
  • modelar detalhes onde o risco de interferência é alto.

Para a Barbosa Estrutural, um bom “padrão” de início geralmente é:

  • estrutural em LOD 300 com atenção a interfaces (350 em pontos críticos);
  • coordenação com clash bem estruturado;
  • as built (LOD 500) apenas quando o cliente realmente vai usar.

Princípio 4 — Padrões e bibliotecas: BIM sem padrão vira “arte”, não engenharia

Padrões que precisam existir cedo:

  • nomenclatura de arquivos e revisões;
  • template de projeto (vistas, filtros, folhas);
  • biblioteca de famílias/componentes com parâmetros mínimos;
  • regras de modelagem (ex.: como representar aberturas, reservas, shafts);
  • codificação e classificação (para quantitativos e coordenação).

Sem isso, cada projeto vira “um BIM diferente”, e a curva de aprendizado nunca termina.

Princípio 5 — Papéis na equipe: BIM precisa de dono do processo

Em empresas pequenas, uma pessoa pode acumular funções. Em empresas maiores, os papéis se separam.

Papéis típicos:

  • Modelador BIM: produz modelos conforme padrão
  • Coordenador BIM: organiza federação, clash, issues e ciclos
  • Gestor da Informação: governança do CDE, estados, emissões
  • Líder Técnico (estrutura/MEP/arquitetura): aprova decisões técnicas

Para a Barbosa Estrutural, o ponto-chave é: coordenação BIM sem liderança técnica vira “coordenação estética”. Estrutura exige decisão com responsabilidade.

Princípio 6 — Capacitação real: treinar processo, não só botão

Treinamento falha quando é:

  • só software;
  • genérico;
  • desconectado do fluxo real da empresa.

Treinamento que funciona:

  • baseado em um projeto piloto;
  • com padrão e entregáveis claros;
  • com revisão de qualidade do modelo;
  • com feedback de coordenação (clash e correções).

Na prática, você forma competência quando:

  • a equipe aprende a modelar para coordenação;
  • aprende a emitir com rastreabilidade;
  • aprende a operar o CDE como “verdade única”.

Princípio 7 — Adoção gradual (projeto piloto): o caminho mais seguro

O melhor roteiro de migração costuma ser:

  1. Projeto piloto (escopo controlado, risco gerenciável)
  2. Padrões mínimos (templates, nomenclatura, biblioteca base)
  3. CDE e emissão (governança de arquivos)
  4. Clash e coordenação (processo completo de issues)
  5. Checklist de qualidade (padrão de auditoria do modelo)
  6. Expansão para projetos maiores e 4D/5D quando maturidade subir

O projeto piloto não serve para “mostrar 3D”. Serve para testar o processo real.

Barreiras culturais (as verdadeiras) e como superar

Resistência 1: “BIM dá trabalho”

Resposta técnica: BIM desloca trabalho para o projeto para reduzir trabalho na obra. Se “dá trabalho demais”, provavelmente falta padrão e governança.

Resistência 2: “Sempre fizemos assim”

Resposta: a concorrência já está reduzindo retrabalho com coordenação. Quem não muda, perde margem.

Resistência 3: “O cliente não pede”

Resposta: o cliente não pede “BIM”; o cliente pede prazo, custo e menos problema. BIM é meio para isso.

Resistência 4: “Não temos tempo para implementar”

Resposta: o custo de não implementar aparece como retrabalho e perda de produtividade — e isso é recorrente.

Implementação BIM com foco Barbosa Estrutural (posicionamento de autoridade)

Uma forma inteligente de posicionar a Barbosa Estrutural é oferecer BIM como:

  • engenharia de valor (menos retrabalho, menos reforço emergencial);
  • gestão de risco técnico (interferência, sequência e segurança);
  • qualidade de entrega (detalhe executável, rastreabilidade, as built quando aplicável).

Em vez de vender “modelagem”, vender “resultado”: previsibilidade técnica.

O Futuro: IA, Digital Twins e Construção Industrializada

Falar de BIM hoje sem falar de IA e dados operacionais é como falar de engenharia estrutural sem falar de carga e segurança: fica incompleto.

Nos últimos 3 anos, o setor acelerou em três frentes que estão convergindo:

  • BIM como base de dados do ativo (não apenas documentação);
  • IA aplicada à engenharia (otimização, detecção de risco, automação de checagens);
  • Digital Twins (modelo conectado ao mundo real por sensores e operação);
  • industrialização/prefabricação (obra mais parecida com indústria).

Essa convergência muda o jogo competitivo: empresas que dominam o fluxo “dados → decisão → execução → operação” conseguem entregar:

  • mais previsibilidade;
  • menos retrabalho;
  • mais controle de custo;
  • mais segurança;
  • e mais valor ao cliente.

A partir daqui, BIM deixa de ser “metodologia de projeto”. Ele vira plataforma de gestão do ciclo de vida.

IA no fluxo BIM: o que é real, o que é útil e o que é exagero

É importante separar propaganda de aplicação prática.

IA útil no BIM (hoje, com valor real):

  • detecção e priorização inteligente de conflitos: reduzir ruído e focar no que gera risco;
  • checagens automáticas de consistência: normas internas, padrões de modelagem, nomeação, propriedades;
  • análise de alternativas: variações de layout, rota de instalações, soluções de projeto;
  • estimativas e previsões: risco de atraso, risco de estouro de custo com base em histórico;
  • suporte à documentação: geração e revisão de relatórios de coordenação e checklists (com governança humana).

IA com risco de exagero (precisa cuidado):

  • “IA que dimensiona tudo sozinha” sem validação de engenharia;
  • “IA que garante conformidade normativa” sem rastreabilidade e revisão técnica;
  • “IA que substitui coordenação” sem disciplina de processo.

A visão madura é: IA como copiloto de produtividade e checagem, não como substituta de responsabilidade técnica.

Design Generativo: a IA como coautora de alternativas (com engenharia de valor)

O design generativo aplica algoritmos para gerar alternativas a partir de restrições e objetivos, por exemplo:

  • menor volume de concreto ou aço;
  • menor custo total;
  • menor impacto ambiental;
  • melhor logística e sequência;
  • melhor desempenho (dependendo do caso).

Em estrutura, isso pode apoiar:

  • concepções alternativas de sistema estrutural;
  • otimização de peças e modulação;
  • redução de interferência com MEP via reservas e alinhamentos.

Mas com uma regra inegociável: a decisão final continua sendo engenharia (concepção, verificação e responsabilidade).

Digital Twins: quando o BIM “ganha vida” com dados de operação

Digital Twin (gêmeo digital) é, em essência, a extensão do BIM para operação, conectando:

  • modelo (geometria + informação);
  • operação real (sensores, manutenção, consumo, falhas);
  • análises preditivas (tendências, alarmes, intervenções planejadas).

O Digital Twin faz sentido quando:

  • o ativo é complexo (hospital, indústria, shopping, infraestrutura);
  • o custo de parada é alto;
  • há manutenção crítica;
  • há exigência de compliance e rastreabilidade.

No contexto de engenharia diagnóstica, isso é um salto enorme, porque permite migrar de:

  • manutenção corretiva (quebrou, conserta) para:
  • manutenção preditiva (tende a falhar, intervém antes)

BIM 7D + Digital Twin: o caminho mais curto para reduzir custo de ciclo de vida

A maior parte do custo de um edifício está na operação. Por isso, quando o BIM é bem implantado e mantido:

  • reformas futuras ficam mais rápidas e menos destrutivas;
  • a localização de sistemas vira consulta, não “quebra exploratória”;
  • o histórico técnico reduz litígio e acelera decisões;
  • a manutenção preventiva vira protocolo.

Esse é um argumento de autoridade importante para a Barbosa Estrutural: BIM bem feito vira prontuário técnico do ativo.

BIM e Construção Industrializada: pré-fabricação, modularidade e qualidade

A industrialização na construção se fortaleceu nos últimos anos por três pressões:

  • escassez de mão de obra qualificada;
  • necessidade de prazo mais curto;
  • necessidade de qualidade repetível.

BIM é a base natural da industrialização porque:

  • exige precisão;
  • exige padronização;
  • e facilita a integração com fabricação e montagem.

Em LOD mais alto (em projetos que exigem), BIM pode suportar:

  • fabricação de estruturas metálicas e conexões;
  • pré-moldados e modulação;
  • kits de instalações;
  • montagem com menos improviso.

O ganho final é previsível:

  • menos erro;
  • menos perda;
  • mais qualidade;
  • mais segurança.

BIM como Vantagem Competitiva Inegociável

BIM não é uma “tendência de software”. É um novo patamar de engenharia e gestão. Ele reduz o que mais custa caro no setor:

  • retrabalho;
  • conflito entre disciplinas;
  • decisões tardias;
  • falta de rastreabilidade;
  • e improviso em campo.

Quando BIM é tratado como processo (com BEP, CDE, padrões e coordenação), ele muda a capacidade de entrega do time — e muda a percepção do mercado sobre a empresa.

Para a Barbosa Estrutural, BIM é mais do que transformação digital: é um instrumento de precisão estrutural, gestão de risco e qualidade defensável, alinhado à engenharia diagnóstica e à busca por desempenho e durabilidade.


Próximo passo com a Barbosa Estrutural

Se você quer implementar BIM sem cair em dois extremos — “3D bonito sem governança” ou “processo pesado que trava a equipe” — o caminho mais eficiente é começar com um diagnóstico e um plano de implantação sob medida.

A Barbosa Estrutural pode apoiar sua empresa/empreendimento com foco em resultado:

  • diagnóstico de maturidade BIM (processos, equipe e entregáveis);
  • definição de BEP/BXP e padrões (nomenclatura, LOD, CDE, checklists);
  • coordenação técnica com foco em interferências críticas (estrutura x MEP);
  • suporte a implantação gradual (projeto piloto com governança);
  • integração do BIM com qualidade, segurança e rastreabilidade.

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