Laudo predial:: Você está prestes a assinar o contrato de compra de um apartamento. O imóvel parece perfeito. A localização é boa, o preço está dentro do orçamento e o acabamento agrada.
Mas e a estrutura? E as instalações elétricas? E as fundações?
Essas perguntas raramente aparecem durante uma visita comum. Afinal, problemas estruturais não ficam visíveis na superfície. Infiltrações se escondem atrás de paredes recém-pintadas. Armaduras corroídas não aparecem em fotos de anúncio.
É exatamente aí que o laudo predial entra.
Ele é o instrumento técnico que revela o que os olhos não enxergam. Além disso, ele formaliza esse diagnóstico com responsabilidade legal — tornando-se um documento que protege o comprador, o vendedor e qualquer parte envolvida na transação.
No entanto no Brasil, porém, a cultura do laudo predial ainda é incipiente. Segundo dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA), a maioria dos imóveis residenciais brasileiros nunca passou por uma inspeção técnica formal. Consequentemente, problemas graves são descobertos apenas depois da compra — quando o custo de correção já recai sobre o novo proprietário.
Esse cenário está mudando. Mais de 30 municípios brasileiros já tornaram algum tipo de inspeção predial obrigatória entre 2021 e 2025. Além disso, o crescimento de ações judiciais por vícios construtivos — que aumentaram mais de 40% no Tribunal de Justiça de São Paulo entre 2020 e 2024 — reforça a importância de documentar tecnicamente o estado de qualquer imóvel.
O Que É Laudo Predial — Definição, Origem e Importância
Antes de tudo, é necessário entender o que, exatamente, é um laudo predial. O termo é amplamente usado no mercado imobiliário. Entretanto, muitas pessoas o confundem com outros documentos técnicos — como vistoria, inspeção ou relatório de manutenção.
Cada um desses documentos tem finalidade própria. Por isso, compreender as diferenças é o primeiro passo para usar o laudo corretamente.
Definição Técnica e Legal
O laudo predial é um documento técnico formal que descreve, de maneira detalhada, o estado físico e funcional de uma edificação. Ele é elaborado por profissional habilitado — engenheiro civil ou arquiteto — com registro ativo no CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) ou no CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo).
O objetivo central é registrar as condições reais do imóvel. Além disso, ele identifica riscos, anomalias e pendências técnicas. E, finalmente, apresenta recomendações para correção ou manutenção.
Além disso, diferentemente de um relatório comum, o laudo predial possui responsabilidade técnica formal. Isso significa que o profissional que o assina responde legalmente pelo seu conteúdo. Nesse sentido, essa responsabilidade é formalizada por meio da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), no caso de engenheiros, ou da RRT (Registro de Responsabilidade Técnica), no caso de arquitetos.
Sem esses documentos, o laudo não tem validade jurídica plena. Portanto, ao solicitar qualquer laudo predial, exija sempre a ART ou RRT vinculada ao serviço.
A Origem do Laudo Predial no Brasil
O laudo predial, como prática formalizada, ganhou força no Brasil a partir dos anos 2000. Nesse contexto, o crescimento acelerado das cidades gerou um estoque expressivo de edificações que passaram a envelhecer sem manutenção adequada.
Consequentemente, acidentes prediais passaram a se multiplicar. Desabamentos, colapsos de fachadas e falhas estruturais em edifícios antigos tornaram-se frequentes em grandes centros urbanos.
Diante desse cenário, o mercado técnico e os órgãos reguladores responderam. Em 2012, a ABNT NBR 5674 — Norma de Manutenção de Edificações — foi atualizada, estabelecendo critérios formais para manutenção predial. Em seguida, em 2020, a ABNT NBR 16747 definiu os conceitos, diretrizes e procedimentos para a inspeção predial no Brasil.
Paralelamente, municípios como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte aprovaram leis exigindo laudos e inspeções periódicas. Portanto, o laudo predial deixou de ser apenas uma boa prática — e passou a ser, em muitos casos, uma obrigação legal.
Por Que o Laudo Predial É Mais Importante do Que Nunca
O Brasil tem mais de 12 milhões de edifícios com mais de 20 anos de construção, segundo estimativas do IBGE. Além disso, grande parte desses imóveis nunca passou por qualquer tipo de inspeção técnica formal.
Esse dado, por si só, já justifica a importância crescente do laudo predial. Mas há outros fatores igualmente relevantes.
O primeiro fator é o envelhecimento natural das edificações. Nesse processo, o concreto sofre carbonatação, as armaduras corroem e as impermeabilizações falham. Além disso, esses fenômenos ocorrem de forma silenciosa e progressiva. Dessa forma, sem um diagnóstico técnico periódico, tendem a evoluir até se tornarem emergências — ou até mesmo tragédias.
O segundo fator é o aumento da conscientização dos compradores. Nos últimos três anos, o perfil do comprador de imóvel brasileiro mudou significativamente. Consequentemente, a exigência de documentação técnica antes da compra cresceu de forma expressiva.
O terceiro fator é o crescimento dos litígios imobiliários. Ações judiciais envolvendo vícios construtivos, danos estruturais e disputas entre locadores e locatários têm aumentado consistentemente. Portanto, possuir um laudo predial atualizado tornou-se uma forma de proteção jurídica para todas as partes.
Laudo Predial x Inspeção Predial x Vistoria
Esses três termos circulam frequentemente no mercado imobiliário. Entretanto, eles não significam a mesma coisa. Compreender as diferenças evita confusão e garante que você solicite o documento correto para cada situação.
- Laudo predial: É o documento técnico resultante de uma análise aprofundada do imóvel. Ele pode focar em um aspecto específico — como estrutura ou instalações — ou abranger a edificação de forma completa. Além disso, possui responsabilidade técnica formal, com ART ou RRT vinculada.
- Inspeção predial: Trata-se do processo técnico de avaliação sistemática de todos os sistemas de uma edificação. Nesse contexto, a inspeção predial é regulamentada pela ABNT NBR 16747:2020. Além disso, abrange a estrutura, as instalações, as áreas comuns, a cobertura e os sistemas de segurança. Por fim, o laudo de inspeção predial constitui o documento que formaliza os resultados dessa inspeção.
- Vistoria: Trata-se do registro do estado aparente de um imóvel em um momento específico. Nesse sentido, diferentemente do laudo predial, a vistoria não aprofunda diagnósticos nem classifica graus de risco. Além disso, ela é mais comum em transações de locação, sendo utilizada para registrar o estado do imóvel na entrada e na saída do inquilino.
Em resumo: a vistoria registra o que existe. A inspeção predial analisa o que existe. E o laudo predial documenta formalmente essa análise — com responsabilidade técnica e validade jurídica.

Para Que Serve o Laudo Predial — As 6 Finalidades Essenciais
O laudo predial não tem uma única finalidade. Ao contrário, ele serve a propósitos muito diferentes — dependendo do contexto em que é solicitado.
Conhecer essas finalidades permite que proprietários e compradores identifiquem exatamente quando e por que precisam desse documento.
Segurança Estrutural — Identificar Riscos Antes que Se Tornem Tragédias
Na compra e venda de imóveis, o laudo predial atua como a base técnica da negociação. Nesse sentido, ele informa a condição real do imóvel, sem depender de declarações subjetivas do vendedor ou da impressão visual do comprador.
Problemas como fissuras em pilares, corrosão de armaduras, recalques de fundação e deformações em lajes raramente são visíveis sem uma análise técnica especializada. Consequentemente, eles evoluem silenciosamente até atingir um ponto crítico.
O laudo predial interrompe esse ciclo. Por meio de vistoria técnica, o engenheiro identifica essas anomalias em estágios iniciais. Além disso, classifica sua gravidade e recomenda intervenções antes que o problema se agrave.
Portanto, o laudo de segurança estrutural é especialmente recomendado para:
- Edifícios com mais de 20 anos sem histórico de manutenção
- Imóveis que sofreram enchentes, deslizamentos ou eventos extremos
- Edificações com sinais visíveis de trincas, deformações ou umidade
- Imóveis usados com mais de 15 anos antes da compra
Compra e Venda de Imóveis — Proteção Para Todas as Partes
Na compra e venda de imóveis, o laudo predial atua como a base técnica da negociação. Nesse sentido, ele informa a condição real do imóvel, sem depender de declarações subjetivas do vendedor ou da impressão visual do comprador.
Para o comprador, o laudo é proteção contra surpresas pós-compra. O Código Civil Brasileiro, nos artigos 441 a 446, garante ao comprador o direito de redibir o contrato ou exigir abatimento de preço quando há vício oculto — defeito preexistente que o comprador não poderia identificar sem análise técnica.
Entretanto, esse direito só pode ser exercido com eficácia quando o vício está documentado. Portanto, um laudo predial realizado antes da compra é o instrumento que sustenta essa proteção legal.
Para o vendedor, por outro lado, o laudo predial demonstra boa-fé e transparência. Além disso, ele reduz o risco de ações futuras por vícios ocultos — já que os problemas existentes ficam registrados e conhecidos por ambas as partes.
Locação de Imóveis — Documentação que Previne Conflitos
Na locação, o laudo predial cumpre uma função específica: registrar formalmente o estado do imóvel no início da relação contratual.
Nesse sentido, esse registro é especialmente relevante diante da Lei do Inquilinato — Lei 8.245/1991. De acordo com seus artigos 22 e 23, a norma define as obrigações do locador e do locatário em relação ao estado do imóvel. Assim, o locador deve entregar o imóvel em condições de uso; por sua vez, o locatário deve devolvê-lo nas mesmas condições.
Sem documentação técnica, porém, qualquer conflito sobre responsabilidades vira palavra contra palavra. Por isso, o laudo predial de locação — que documenta o estado real do imóvel antes da entrega das chaves — é o instrumento que resolve esse impasse com objetividade.
Além disso, ao final do contrato, a comparação entre o laudo de entrada e o estado atual do imóvel determina com clareza quais danos são de responsabilidade do inquilino — e quais já existiam antes de sua chegada.
Reformas e Ampliações — Verificar Se a Estrutura Suporta Mudanças
Antes de qualquer reforma estrutural, o laudo predial é indispensável. Ele verifica se a edificação tem capacidade para suportar as alterações planejadas — sem colocar em risco a integridade do imóvel.
Esse aspecto é frequentemente negligenciado, uma vez que muitos proprietários realizam reformas sem qualquer avaliação técnica prévia. Como consequência, surgem problemas graves, como a remoção de paredes estruturais sem o devido cálculo, a sobrecarga de lajes além da capacidade de projeto e a execução de fundações incapazes de suportar acréscimos de pavimentos.
O laudo predial pré-reforma identifica esses riscos com antecedência. Além disso, ele serve como base para o projeto de reforma — garantindo que as intervenções sejam tecnicamente adequadas e seguras.
Portanto, qualquer reforma que envolva remoção de paredes, acréscimo de andares, mudança de uso do imóvel ou substituição de sistemas hidráulicos e elétricos deve ser precedida de laudo predial.
Regularização Junto a Órgãos Públicos
Em determinadas situações, o laudo predial é exigido como requisito para regularização de edificações perante órgãos públicos.
Essa necessidade surge em contextos variados:
- Habite-se e regularização de obras: em muitos municípios, edificações construídas sem aprovação prévia precisam de laudo técnico para iniciar o processo de regularização junto à prefeitura.
- Aprovação de reformas: obras que alteram a estrutura ou o uso do imóvel frequentemente exigem laudo técnico como parte da documentação para aprovação municipal.
- Atendimento a normas de acessibilidade: imóveis comerciais e institucionais que precisam se adequar às normas da ABNT NBR 9050 — Acessibilidade a Edificações — podem necessitar de laudo para comprovar as condições existentes e planejar as adequações.
- Laudos para financiamentos imobiliários: bancos e instituições financeiras frequentemente exigem laudos técnicos como parte da documentação para concessão de crédito imobiliário, especialmente em imóveis usados ou em processo de reforma.
Perícias Judiciais — Quando o Laudo Vira Prova Legal
Em processos judiciais que envolvem imóveis, o laudo predial frequentemente se torna a peça central do processo. Ele transforma observações técnicas em prova objetiva com respaldo legal.
As situações mais comuns em que o laudo predial é utilizado em processos judiciais incluem:
- Ações por vícios construtivos contra construtoras e incorporadoras
- Disputas entre locador e locatário sobre danos ao imóvel
- Conflitos entre condôminos por infiltrações ou danos estruturais de origem controversa
- Ações por acidentes em edificações — queda de fachadas, desabamentos, colapsos
- Processos de desapropriação com contestação do valor atribuído ao imóvel
- Inventários e partilhas de herança que envolvem avaliação do estado do bem
Nesse contexto judicial, o laudo predial pode ser produzido por perito nomeado pelo juiz ou, alternativamente, por assistente técnico contratado por uma das partes. Em ambos os casos, além disso, o documento precisa ser assinado por profissional habilitado, com ART ou RRT, e seguir metodologia técnica reconhecida.
A Barbosa Estrutural atua na elaboração de laudos periciais e na assistência técnica judicial — fornecendo documentação técnica robusta para fundamentar negociações extrajudiciais e processos judiciais.
Quem Pode Emitir um Laudo Predial no Brasil
Nem todo profissional pode assinar um laudo predial. Além disso, nem todo documento chamado de “laudo” tem validade técnica e jurídica real.
Por isso, antes de contratar qualquer serviço, entenda quem está habilitado — e o que cada profissional pode avaliar.
Engenheiro Civil — Competências e Responsabilidades
O engenheiro civil é o principal profissional habilitado para emitir laudos prediais. Além disso, ele detém a competência técnica mais ampla entre todos os profissionais do setor.
Na prática, o engenheiro civil avalia:
- Fundações, pilares, vigas e lajes
- Coberturas e sistemas de contenção
- Instalações elétricas, hidráulicas e de gás
- Sistemas de prevenção e combate a incêndio
- Estrutura de escadas, rampas e áreas comuns
- Conformidade com normas técnicas e regulamentos municipais
Portanto, quando o foco do laudo for estrutural ou envolver risco à segurança da edificação, o engenheiro civil é o profissional indispensável.
Além disso, é o engenheiro quem emite a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). Consequentemente, ao assinar o laudo, ele assume responsabilidade civil e administrativa pelo conteúdo do documento.
Isso representa uma garantia concreta para o proprietário. Em outras palavras: se o laudo contiver erro técnico grave, o profissional responde legalmente por isso.
Arquiteto — Quando e o Que Ele Pode Avaliar
O arquiteto também está habilitado para emitir laudos prediais. Entretanto, sua atuação tem foco diferente do engenheiro civil.
O arquiteto avalia, principalmente:
- Acessibilidade e ergonomia dos espaços
- Iluminação, ventilação e conforto térmico
- Acabamentos, pintura e revestimentos
- Organização de áreas comuns e fluxo de pessoas
- Aspectos funcionais e estéticos da edificação
Além disso, o arquiteto pode identificar e registrar falhas estruturais visíveis. Contudo, a responsabilidade técnica sobre análises estruturais críticas exige a participação do engenheiro civil.
Por isso, em laudos que envolvam riscos estruturais ou análises de instalações prediais complexas, a atuação do arquiteto deve ser complementar — e não substituta — à do engenheiro.
O arquiteto formaliza sua responsabilidade por meio da RRT (Registro de Responsabilidade Técnica), emitida pelo CAU. Da mesma forma que a ART, a RRT confere validade legal ao laudo.
Empresas Especializadas — Vantagens da Equipe Multidisciplinar
Além dos profissionais individuais, existem empresas especializadas em inspeção e laudo predial. Essas empresas reúnem engenheiros civis, arquitetos e outros especialistas em uma única equipe.
Essa abordagem multidisciplinar oferece vantagens claras. Em primeiro lugar, permite avaliar todos os sistemas da edificação com profundidade técnica específica. Em segundo lugar, entrega um laudo mais completo e coeso — já que diferentes especialistas contribuem com seu conhecimento particular.
Entretanto, independentemente do número de profissionais envolvidos, o laudo final precisa ser assinado por profissional habilitado. Além disso, a ART ou RRT correspondente deve estar vinculada ao documento.
Portanto, ao contratar uma empresa especializada, verifique sempre se o laudo entregue contém:
- Nome e registro do profissional responsável (CREA ou CAU)
- ART ou RRT emitida especificamente para aquele serviço
- Assinatura com responsabilidade técnica formal
A Barbosa Estrutural reúne engenheiros civis especializados com experiência em laudos residenciais, comerciais e industriais. Dessa forma, cada laudo entregue contempla todos os aspectos técnicos relevantes para o imóvel avaliado.
ART e RRT — O Que São e Por Que São Obrigatórias
A ART — Anotação de Responsabilidade Técnica é o documento que vincula formalmente um engenheiro a um serviço específico. Ela é emitida pelo CREA do estado correspondente e registrada no sistema nacional do CONFEA.
Da mesma forma, a RRT — Registro de Responsabilidade Técnica é o documento equivalente para arquitetos e urbanistas. Ela é emitida pelo CAU e cumpre a mesma função legal que a ART.
Esses documentos são fundamentais por três razões principais:
- Primeira razão — responsabilidade legal: ao emitir a ART ou RRT, o profissional assume responsabilidade civil e administrativa pelo conteúdo do laudo. Consequentemente, em caso de erro ou omissão, ele pode ser acionado judicialmente.
- Segunda razão — validade jurídica: sem ART ou RRT, o laudo predial não tem validade legal plena. Portanto, ele não pode ser usado como prova em processos judiciais, nem como documento oficial perante órgãos públicos.
- Terceira razão — proteção ao contratante: a ART ou RRT garante que o profissional contratado está efetivamente habilitado para aquele serviço específico. Assim, o proprietário tem segurança de que está contratando quem realmente pode responder pelo trabalho.
Você pode verificar a autenticidade de uma ART no site do CREA do seu estado — gratuitamente e de forma pública. Da mesma forma, RRTs podem ser consultadas no portal do CAU/BR.
Como Verificar Se o Profissional É Habilitado
Antes de contratar qualquer profissional para elaborar um laudo predial, verifique sua habilitação. Esse passo simples evita problemas sérios.
Siga este procedimento:
- Passo 1 — Solicite o número de registro: Peça ao profissional o número de registro no CREA ou no CAU. Todo profissional habilitado possui esse número e pode fornecê-lo imediatamente.
- Passo 2 — Consulte o conselho correspondente: Acesse o site do CREA do seu estado ou o portal do CAU/BR. Busque o registro pelo número fornecido. Além disso, verifique se o registro está ativo e se a especialidade do profissional é compatível com o tipo de laudo solicitado.
- Passo 3 — Exija a ART ou RRT antes de assinar qualquer contrato: A ART ou RRT deve ser emitida antes do início do serviço. Portanto, não aceite a promessa de emissão posterior. Sem esse documento, você não tem garantia legal sobre o trabalho contratado.
- Passo 4 — Verifique experiência específica: Além da habilitação formal, verifique se o profissional tem experiência em laudos prediais. Peça referências, portfólio de trabalhos anteriores e informações sobre a metodologia utilizada.
Dessa forma, você garante que está contratando um profissional qualificado — e que o laudo entregue terá o valor técnico e jurídico que você precisa.
Como É Feito o Laudo Predial — Etapas e Metodologia
Entender como o laudo predial é produzido ajuda o proprietário a saber o que esperar — e a avaliar se o serviço contratado está sendo executado com rigor técnico adequado.
O processo segue etapas bem definidas. Cada uma delas contribui para a qualidade e a precisão do documento final.
Levantamento de Informações e Diagnóstico Inicial
O processo começa antes da vistoria. Nessa etapa inicial, o engenheiro reúne todas as informações disponíveis sobre o imóvel.
Esse levantamento inclui:
- Plantas arquitetônicas e projetos estruturais
- Memorial descritivo da construção
- Histórico de reformas e intervenções anteriores
- Registros de manutenção existentes
- Documentação de regularização do imóvel
- Informações sobre o entorno — tráfego intenso, obras próximas, histórico de enchentes
Com base nesse diagnóstico inicial, o engenheiro define o escopo da vistoria. Além disso, identifica os pontos de maior risco e os aspectos que merecem atenção prioritária.
Essa etapa é frequentemente negligenciada em laudos de baixa qualidade. Contudo, ela é fundamental para direcionar corretamente a análise técnica que vem a seguir.
Vistoria Técnica — O Que o Engenheiro Avalia em Campo
A vistoria técnica é o coração do laudo predial. Nela, o engenheiro percorre sistematicamente toda a edificação — avaliando cada sistema, cada ambiente e cada elemento construtivo.
A vistoria segue uma sequência lógica, que geralmente parte das áreas externas para as internas, e das fundações para a cobertura.
- Nas áreas externas e fachadas: O engenheiro avalia fissuras, trincas, manchas de umidade, descolamento de revestimentos, estado das juntas de dilatação e sinais de recalque diferencial. Além disso, verifica a cobertura, as calhas, os rufos e os sistemas de drenagem.
- Na estrutura: A análise estrutural verifica pilares, vigas, lajes e fundações. O engenheiro busca sinais de corrosão de armaduras — evidenciada pelo spalling, quando o concreto se destaca em lascas. Também identifica flechas excessivas em lajes e vigas, e analisa a orientação e a extensão de cada fissura encontrada.
- Nas instalações: O profissional testa e avalia o funcionamento dos sistemas elétricos, hidráulicos, de gás, de prevenção e combate a incêndio e de climatização. Além disso, verifica a conformidade dessas instalações com as normas técnicas vigentes.
- Nas áreas comuns: Escadas, corredores, elevadores, garagens, salões e áreas de lazer são verificados quanto à segurança, funcionalidade e estado de conservação.
- Nos ambientes internos: Em cada unidade ou ambiente avaliado, o engenheiro verifica paredes, pisos, tetos, esquadrias, instalações visíveis e acabamentos — documentando cada anomalia encontrada.
Registro Fotográfico e Documentação de Evidências
Durante a vistoria, o registro fotográfico é sistemático e detalhado. Nesse contexto, cada anomalia identificada precisa ser fotografada com clareza suficiente para permitir a identificação de sua localização, natureza e extensão.
Além das fotografias, o engenheiro realiza:
- Croquis e esquemas: identificando a localização das anomalias nas plantas do imóvel
- Medições: dimensionando fissuras, deformações e afastamentos estruturais
- Ensaios simples in loco: como o teste de percussão em revestimentos cerâmicos — que identifica peças soltas sem removê-las — e o teste com fenolftaleína para detectar carbonatação do concreto
Toda essa documentação serve como base objetiva para o laudo. Consequentemente, as conclusões técnicas não dependem de memória ou interpretação subjetiva — elas partem de evidências registradas e verificáveis.
Análise Técnica e Classificação de Anomalias
Com as informações coletadas em campo, o engenheiro realiza a análise técnica. Nessa etapa, cada anomalia identificada recebe uma classificação de acordo com sua natureza e gravidade.
A ABNT NBR 16747:2020 orienta a classificação das anomalias em três graus:
- Grau 1 — Risco baixo: Problemas que afetam apenas a estética ou o conforto, sem comprometer segurança ou funcionalidade. Por isso, podem ser incluídos no planejamento de manutenção regular. Exemplo: pintura desgastada, pequenas manchas em revestimento.
- Grau 2 — Risco médio: Anomalias que reduzem a funcionalidade ou tendem a se agravar se não forem tratadas. Portanto, exigem atenção e intervenção dentro de prazo definido. Exemplo: infiltração ativa em parede, janela com vedação comprometida.
- Grau 3 — Risco alto: Trata-se de problemas que comprometem a segurança dos ocupantes ou a integridade estrutural da edificação. Por isso, exigem ação imediata e podem, inclusive, justificar a interdição parcial ou total do imóvel. Como exemplo, destacam-se a corrosão avançada de armaduras em vigas de cobertura e o recalque ativo de fundação.
Essa classificação permite ao proprietário priorizar intervenções de forma objetiva — começando pelo que representa maior risco e maior urgência.
Elaboração do Relatório e Emissão do Laudo Final
Após a conclusão da análise técnica, o engenheiro elabora o laudo final. No entanto esse documento, integra todas as informações coletadas — levantamento documental, vistoria em campo, registro fotográfico e análise técnica — em um relatório estruturado e claro.
Um laudo predial completo e de qualidade inclui:
- Identificação completa do imóvel e do profissional responsável
- Metodologia utilizada na análise
- Descrição detalhada de cada sistema avaliado
- Registro fotográfico vinculado ao texto
- Classificação de cada anomalia por grau de risco
- Recomendações técnicas com prazos sugeridos
- Conclusão técnica sobre o estado geral da edificação
- Assinatura do responsável técnico com número de registro
- ART ou RRT emitida para aquele serviço específico
Além disso, laudos de alto padrão incluem estimativas de custo para as intervenções recomendadas. Dessa forma, o proprietário pode planejar financeiramente as correções necessárias — sem surpresas.
O Que Consta em um Laudo Predial Completo
Saber o que deve constar em um laudo predial é tão importante quanto saber solicitá-lo. Afinal, um laudo incompleto ou superficial não oferece a proteção técnica e jurídica que você precisa.
Por isso, conheça cada componente que um laudo predial completo deve apresentar.
Identificação do Imóvel e Dados Cadastrais
O laudo começa com a identificação completa do imóvel. Essa seção parece simples, mas é fundamental para garantir que o documento tenha validade legal.
Os dados essenciais incluem:
- Endereço completo e número de matrícula no cartório
- Tipo de imóvel (residencial, comercial, misto)
- Área construída e número de pavimentos
- Ano de construção e histórico de reformas conhecidas
- Finalidade do laudo (compra, manutenção, reforma, perícia etc.)
- Identificação do solicitante e do profissional responsável
- Data da vistoria e condições climáticas no dia da inspeção
Além disso, laudos bem elaborados incluem um histórico documental — registrando quais documentos do imóvel foram analisados durante o levantamento inicial. Consequentemente, o leitor do laudo sabe exatamente em quais informações o diagnóstico se baseia.
Avaliação Estrutural — Fundações, Pilares, Vigas e Lajes
A avaliação estrutural é a seção mais crítica do laudo predial. Nela, o engenheiro descreve o estado de cada elemento resistente da edificação.
Essa análise abrange:
- Fundações: O engenheiro verifica sinais de recalque diferencial — quando partes do solo cedem de forma desigual, causando deformações na estrutura. Os sinais mais comuns incluem trincas diagonais nos cantos de aberturas, pisos inclinados e portas ou janelas que não fecham corretamente.
- Pilares e vigas: A análise verifica a presença de fissuras passantes, corrosão de armaduras, deslocamentos visíveis e perda de seção transversal. Além disso, o engenheiro avalia se há sinais de carbonatação do concreto — processo que reduz a proteção química das armaduras e acelera sua corrosão.
- Lajes: O foco está em flechas excessivas — deformações verticais que indicam sobrecarga ou deterioração da capacidade resistente —, trincas mapeadas e manchas de umidade que possam indicar corrosão interna das armaduras.
- Coberturas: A estrutura do telhado, as telhas, os rufos e as calhas são avaliados quanto à integridade e à eficiência na proteção da edificação contra a água.
Inspeção das Instalações — Elétrica, Hidráulica, Gás e Incêndio
As instalações prediais são responsáveis por grande parte dos problemas cotidianos — e também por alguns dos riscos mais sérios em edificações.
Por isso, o laudo predial completo avalia cada sistema com atenção específica.
- Instalações elétricas: O engenheiro verifica o quadro de distribuição, disjuntores, aterramento elétrico, SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas), iluminação de emergência e conformidade com a ABNT NBR 5410. Fiações expostas, sobrecargas e ausência de dispositivos de proteção figuram entre os problemas mais comuns.
- Instalações hidráulicas: A análise abrange reservatórios, bombas, tubulações aparentes, registros, válvulas de pressão e sistemas de esgoto. Além disso, verifica a qualidade da água armazenada e a eficiência do sistema de abastecimento.
- Instalações de gás: O laudo verifica tubulações, conexões, reguladores de pressão e central de gás. Além disso, avalia a presença e o funcionamento de sistemas de detecção de vazamento — especialmente em edificações mais antigas.
- Sistema de prevenção e combate a incêndio: A análise cobre extintores, hidrantes, sprinklers, detectores de fumaça, sinalização de emergência e saídas de abandono. Portanto, verifica a conformidade com as normas do Corpo de Bombeiros estadual.
Áreas Comuns e Acabamentos — O Que É Verificado
Além da estrutura e das instalações, o laudo predial completo avalia as áreas comuns e os acabamentos da edificação.
Nas áreas comuns, o engenheiro verifica:
- Estado de escadas, corrimãos e guarda-corpos
- Condições de corredores, halls e recepções
- Funcionamento e segurança de elevadores
- Estado de garagens, rampas e pisos externos
- Áreas de lazer, piscinas e equipamentos coletivos
Nos acabamentos, o laudo documenta:
- Estado da pintura interna e externa
- Condição de pisos, revestimentos e azulejos
- Funcionamento de portas, janelas e esquadrias
- Estado de forros, sancas e elementos decorativos
- Presença de manchas, bolhas, descascamentos ou infiltrações aparentes
Cada problema identificado recebe descrição objetiva e registro fotográfico. Além disso, o laudo indica se o problema é superficial ou sintoma de uma anomalia mais profunda.
Recomendações Técnicas e Plano de Ação
Com base em tudo o que foi identificado, o laudo predial apresenta, de forma estruturada, um conjunto de recomendações técnicas. Dessa maneira, essa seção transforma o diagnóstico em um roteiro de ação prático para o proprietário.
As recomendações são organizadas por prioridade:
- Ações imediatas: Intervenções urgentes relacionadas a anomalias de grau 3 — alto risco. Por exemplo: reforço estrutural emergencial, isolamento de área com risco de queda de revestimento ou interdição de circuito elétrico com risco de curto-circuito.
- Ações de curto prazo: Intervenções necessárias dentro de 30 a 90 dias, relacionadas a anomalias de grau 2. Por exemplo: correção de infiltração ativa, substituição de extintores vencidos ou reparo de junta de dilatação comprometida.
- Ações de médio e longo prazo: Intervenções de manutenção preventiva e melhorias, relacionadas a anomalias de grau 1. Por exemplo: repintura de fachada, substituição de revestimento desgastado ou atualização do sistema de iluminação de emergência.
Além disso, laudos de alta qualidade incluem estimativas de custo para cada grupo de intervenções. Dessa forma, o proprietário planeja o orçamento com base em dados técnicos — e não em suposições.
Conclusão Técnica e Assinatura com Responsabilidade Legal
Por fim, o laudo predial encerra com uma conclusão técnica, apresentando um resumo objetivo do estado geral da edificação, destacando as principais anomalias e priorizando as intervenções mais urgentes.
Essa conclusão deve ser clara, direta e acessível ao leigo. Afinal, o proprietário precisa entender o diagnóstico sem precisar de formação técnica para interpretá-lo.
A conclusão técnica inclui:
- Classificação geral do estado do imóvel (bom, regular, crítico)
- Destaque das anomalias de maior gravidade
- Resumo das intervenções prioritárias
- Estimativa geral de custo das correções necessárias
- Recomendação de prazo para nova inspeção
Por fim, o laudo recebe a assinatura do engenheiro ou arquiteto responsável, acompanhada de:
- Número de registro no CREA ou CAU
- ART ou RRT emitida para aquele serviço
- Data de elaboração do laudo
Esses elementos conferem ao documento responsabilidade técnica formal e validade jurídica plena. Portanto, sem eles, o laudo é apenas um relatório — não um instrumento legal de proteção.
Como Usar o Laudo Predial a Seu Favor
O laudo predial não serve apenas para diagnosticar problemas. Além disso, ele funciona como um instrumento estratégico poderoso. Portanto, saber usá-lo corretamente faz toda a diferença — seja na negociação, na proteção jurídica ou na valorização do imóvel.
Como Negociar o Preço do Imóvel com Base no Laudo
O laudo predial transforma uma negociação subjetiva em uma conversa baseada em evidências técnicas. Dessa forma, o comprador ganha poder de barganha concreto e fundamentado.
Na prática, o processo funciona assim:
- Primeiro passo — solicite o laudo antes de fazer qualquer proposta. Nunca negocie sem conhecer o estado real do imóvel. Portanto, contrate um engenheiro antes de formalizar qualquer oferta.
- Segundo passo — quantifique os problemas encontrados. Para cada anomalia identificada no laudo, estime o custo de correção. Além disso, considere o impacto na segurança, na funcionalidade e na vida útil do imóvel.
- Terceiro passo — apresente o laudo ao vendedor. Com as evidências técnicas em mãos, proponha um abatimento no preço equivalente ao custo das correções necessárias. Consequentemente, a negociação deixa de ser opinião e passa a ser fato técnico.
- Quarto passo — formalize as condições no contrato. Se o vendedor preferir realizar os reparos antes da venda, exija que isso conste no contrato com prazo e especificação técnica. Portanto, você garante que as correções aconteçam — e da forma correta.
Um laudo com anomalias de grau 3 pode justificar descontos expressivos. Por outro lado, um laudo sem anomalias relevantes confirma o valor pedido — e acelera a decisão de compra.
Como Exigir Reparos da Construtora Usando o Laudo
O laudo predial é o instrumento técnico mais eficaz para exigir reparos de construtoras dentro do prazo de garantia legal.
De forma geral, a fundamentação legal é clara e direta. Nesse sentido, o Código Civil Brasileiro, em seus artigos 618 e 619, estabelece que o construtor responde pela solidez e segurança da obra por cinco anos a partir da entrega. Esse período, por sua vez, recebe o nome de garantia quinquenal.
Além disso, o Código de Defesa do Consumidor — Lei 8.078/1990 amplia essa proteção. Para vícios ocultos, o prazo para reclamar é de 5 anos contados a partir do momento em que o vício se torna perceptível ao consumidor.
Por isso, ao identificar um problema em imóvel novo ou relativamente recente, siga este caminho:
- Contrate um engenheiro para elaborar o laudo. O documento precisa descrever tecnicamente o problema, identificar sua provável causa construtiva e classificar o grau de risco envolvido.
- Em seguida, notifique a construtora formalmente. Envie o laudo por e-mail com confirmação de leitura ou por carta com aviso de recebimento. Dessa forma, você cria uma prova documental da notificação.
- Por fim, exija prazo e solução técnica adequada. A construtora tem obrigação legal de responder e corrigir. Consequentemente, o laudo fundamenta qualquer ação judicial caso ela se omita.
Como o Laudo Protege o Locatário em Disputas de Aluguel
Para o locatário, o laudo predial de entrada é a proteção mais eficaz contra cobranças indevidas ao final do contrato.
O problema é comum: o inquilino entrega o imóvel e recebe cobranças por danos que já existiam antes de sua chegada. Sem documentação técnica, a disputa vira palavra contra palavra. Portanto, o resultado costuma ser desfavorável para quem não se preparou.
No entanto, com o laudo de entrada, a situação muda completamente. Nesse documento, cada problema preexistente está devidamente registrado, com descrição precisa e registro fotográfico. Dessa forma, qualquer tentativa de cobrança por danos anteriores à locação pode ser contestada com base em evidência técnica objetiva.
Além disso, a Lei do Inquilinato — Lei 8.245/1991, no artigo 22, obriga o locador a entregar o imóvel em condições de uso adequadas. Por isso, se o laudo de entrada identificar problemas que impedem o uso normal do imóvel, o locatário tem o direito de exigir reparos antes de assumir a posse.
Portanto, qualquer locatário que queira se proteger deve sempre solicitar — ou contratar de forma independente — um laudo técnico antes de assinar o contrato e receber as chaves.
Como o Laudo Fundamenta Ações Judiciais por Vícios Construtivos
Nesse contexto, em processos judiciais, o laudo predial representa a diferença entre uma ação bem fundamentada e uma reclamação sem sustentação técnica.
Juízes não têm formação técnica em engenharia. Por isso, eles dependem de laudos periciais para tomar decisões sobre questões construtivas. Consequentemente, quem apresenta um laudo bem elaborado, com metodologia clara e evidências objetivas, parte em vantagem significativa no processo.
Os vícios construtivos mais comuns que chegam à Justiça incluem:
- Infiltrações originadas em falhas de impermeabilização ou vedação
- Fissuras estruturais causadas por recalque de fundação ou sobrecarga
- Problemas elétricos decorrentes de projetos inadequados ou execução deficiente
- Defeitos em instalações hidráulicas que geram vazamentos ou contaminação
- Falhas em fachadas com risco de queda de revestimento
Em cada um desses casos, o laudo predial documenta o problema, identifica a causa provável e classifica a responsabilidade técnica. Portanto, ele transforma a queixa do proprietário em evidência técnica com força probatória.
A Barbosa Estrutural elabora laudos periciais e atua como assistente técnica em processos judiciais. Além disso, oferece análises independentes para contestar laudos periciais com os quais o cliente discorde.
Como Apresentar o Laudo Para Valorizar o Imóvel na Venda
O laudo predial também funciona como ferramenta de valorização. Afinal, um imóvel com documentação técnica completa transmite confiança — e compradores confiantes pagam mais.
Na prática, o vendedor que apresenta um laudo predial atualizado comunica três coisas ao mercado:
- Primeira mensagem — transparência. O vendedor não esconde o estado do imóvel. Pelo contrário, ele o documenta e apresenta com confiança. Consequentemente, o comprador percebe honestidade — e reduz suas reservas sobre a negociação.
- Segunda mensagem — cuidado e manutenção. Um laudo que demonstra intervenções preventivas e manutenção regular indica que o imóvel foi bem cuidado. Por isso, o comprador percebe menor risco de problemas futuros — e valoriza isso financeiramente.
- Terceira mensagem — segurança jurídica. Com o laudo em mãos, o comprador sabe exatamente o que está comprando. Dessa forma, a probabilidade de litígios pós-venda cai drasticamente — o que beneficia tanto o vendedor quanto o comprador.
Portanto, um laudo predial bem elaborado pode, na prática, encurtar o tempo de venda, reduzir as tentativas de negociação de preço e aumentar a percepção de valor do imóvel no mercado.
Laudo Predial Obrigatório — O Que Diz a Lei
Em muitos casos, o laudo predial deixa de ser uma escolha e passa a ser uma obrigação legal. Por isso, conhecer as normas e legislações aplicáveis é fundamental para proprietários, síndicos e administradores.
NBR 16747:2020 — A Norma Técnica que Regula o Laudo Predial
A ABNT NBR 16747:2020 é a principal norma técnica brasileira sobre inspeção predial. Ela define conceitos, diretrizes, terminologia e procedimentos para a realização de inspeções e a elaboração de laudos prediais no Brasil.
Entre os pontos mais relevantes que ela estabelece, destacam-se:
- Competência profissional: a inspeção predial exige profissional habilitado — engenheiro civil ou arquiteto — com registro ativo no CREA ou CAU. Além disso, a emissão de ART ou RRT é indispensável.
- Níveis de inspeção: a norma define três níveis de complexidade para a inspeção predial, conforme o porte e a complexidade da edificação. Portanto, um edifício residencial multifamiliar exige escopo diferente de uma casa unifamiliar simples.
- Classificação de anomalias: a norma orienta a classificação das anomalias em graus de risco — baixo, médio e alto. Consequentemente, o laudo entrega uma priorização técnica clara para as intervenções necessárias.
- Conteúdo mínimo do laudo: a NBR 16747:2020 define o que um laudo predial precisa conter para ser tecnicamente válido. Por isso, laudos que não seguem essa estrutura podem ter sua qualidade técnica questionada.
Portanto, ao solicitar ou avaliar um laudo predial, verifique sempre se ele segue os parâmetros estabelecidos pela NBR 16747:2020.
Municípios com Laudo Predial Obrigatório
A obrigatoriedade de inspeção e laudos prediais periódicos avança rapidamente pelo Brasil. Atualmente, mais de 30 municípios já possuem legislação específica sobre o tema. Veja os principais:
- São Paulo (SP): A Lei Municipal 16.642/2017 — Código de Obras e Edificações — exige inspeção predial periódica para edifícios com mais de 60 metros de altura ou com mais de 20 anos de construção. A periodicidade varia de 2 a 5 anos, conforme a idade e o uso da edificação.
- Rio de Janeiro (RJ): A Lei 6.400/2018 determina inspeção predial obrigatória para edifícios residenciais e comerciais com mais de 5 pavimentos. A periodicidade é de 5 anos para edifícios de até 30 anos e de 3 anos para edifícios mais antigos.
- Belo Horizonte (MG): A Lei 10.502/2012 Nesse contexto, a legislação exige inspeção periódica para edificações com mais de 20 anos de construção, tornando Belo Horizonte uma das primeiras cidades brasileiras a regulamentar o tema.
- Recife (PE): A Lei 18.112/2015 estabelece inspeção obrigatória para edifícios com mais de 15 anos e mais de 3 pavimentos.
- Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR): Ambas as cidades aprovaram legislações municipais semelhantes entre 2020 e 2024 — ampliando a cobertura nacional da obrigatoriedade.
Além disso, municípios menores em todo o Brasil seguem essa tendência. Portanto, verifique a legislação específica do seu município antes de assumir que o laudo predial é opcional.
Consequências Legais de Não Ter o Laudo Predial Atualizado
Ignorar a obrigação de manter o laudo predial atualizado gera consequências sérias. Por isso, síndicos, proprietários e administradores precisam compreender os riscos envolvidos.
- Multas administrativas: Municípios com legislação de inspeção obrigatória preveem multas para edifícios que não cumprem os prazos. Em São Paulo, por exemplo, as multas pelo descumprimento da Lei 16.642/2017 podem ser expressivas — e recaem sobre o condomínio.
- Responsabilidade civil do síndico: Inicialmente, o síndico tem o dever legal de zelar pela segurança do edifício. Nesse contexto, consequentemente, caso ocorra um acidente em uma edificação sem laudo predial atualizado, o síndico pode responder civil e criminalmente por omissão.
- Perda de garantias contratuais: Construtoras frequentemente incluem em contratos a exigência de manutenção preventiva documentada como condição para acionamento das garantias. Portanto, a ausência de laudo predial pode inviabilizar a exigência de reparos dentro do prazo de garantia legal.
- Dificuldade em processos judiciais: Em litígios envolvendo o imóvel, a ausência de laudo predial enfraquece a posição da parte que não o possui. Além disso, pode indicar negligência na gestão do bem — o que prejudica a defesa em qualquer tipo de ação.
Prazos, Periodicidades e Responsabilidades Legais
As periodicidades de inspeção predial variam conforme a legislação municipal e as características do edifício. Entretanto, algumas referências gerais orientam proprietários e síndicos na definição de um calendário técnico adequado.
A ABNT NBR 5674:2012 — Norma de Manutenção de Edificações — recomenda inspeções técnicas com as seguintes periodicidades:
| Tipo de Inspeção | Periodicidade Recomendada |
|---|---|
| Inspeção visual simplificada | Anual |
| Inspeção técnica por profissional habilitado | A cada 3 anos |
| Inspeção predial completa (NBR 16747) | A cada 5 anos |
| Inspeção em edificações com mais de 30 anos | A cada 3 anos |
| Inspeção após eventos extremos (enchentes, sismos) | Imediatamente após o evento |
Além disso, a responsabilidade pela contratação da inspeção varia conforme o tipo de imóvel:
- Edifícios em condomínio: responsabilidade do síndico, com aprovação em assembleia quando necessário
- Imóveis comerciais: responsabilidade do proprietário ou do administrador do imóvel
- Residenciais unifamiliares: responsabilidade do proprietário
- Imóveis em processo de compra e venda: responsabilidade negociável entre as partes — mas sempre recomendada ao comprador
Portanto, independentemente do tipo de imóvel, a periodicidade da inspeção predial nunca deve exceder os prazos estabelecidos pela legislação municipal aplicável.
Quanto Custa um Laudo Predial — Guia de Valores e O Que Influencia o Preço
Um dos fatores que afasta proprietários do laudo predial é a incerteza sobre o custo. Entretanto, conhecer os valores de referência transforma essa incerteza em planejamento.
Fatores Que Determinam o Custo do Laudo Predial
O preço de um laudo predial varia conforme um conjunto de fatores técnicos e comerciais. Por isso, comparar orçamentos sem considerar esses fatores pode levar a escolhas equivocadas.
Os principais fatores são:
- Porte e complexidade do imóvel: De modo geral, um apartamento de 60 m² exige muito menos tempo de vistoria do que um edifício de 20 andares. Nesse sentido, consequentemente, o custo do laudo aumenta de forma proporcional à complexidade da edificação.
- Escopo do laudo: Um laudo estrutural específico custa menos do que um laudo de inspeção predial completo — que abrange todos os sistemas da edificação. Portanto, defina claramente o escopo antes de solicitar orçamentos.
- Experiência e especialização do profissional: Engenheiros com especialização em patologia predial e experiência comprovada em laudos técnicos cobram valores maiores. Entretanto, esse investimento se justifica pela qualidade técnica e pela segurança jurídica que o trabalho entrega.
- Ensaios e testes complementares: Alguns laudos exigem ensaios laboratoriais ou in loco — como teste de carbonatação do concreto, análise de potencial de corrosão das armaduras ou ensaio de estanqueidade. Esses testes geram custos adicionais, mas aumentam significativamente a precisão do diagnóstico.
- Localização geográfica: Valores variam conforme a região do Brasil. Além disso, a disponibilidade de profissionais especializados no mercado local influencia os preços praticados.
Tabela de Valores de Referência
Os valores a seguir representam faixas de referência. Portanto, use-os como guia de planejamento — e não como preços fixos. Orçamentos detalhados sempre devem ser solicitados antes da contratação.
| Tipo de Laudo | Porte do Imóvel | Faixa de Valores Aproximada |
|---|---|---|
| Laudo predial estrutural | Apartamento até 100 m² | R$ 1.500 a R$ 5.000 |
| Laudo predial estrutural | Casa até 200 m² | R$ 2.000 a R$ 7.000 |
| Laudo predial completo | Edifício residencial (até 10 and.) | R$ 5.000 a R$ 20.000 |
| Laudo predial completo | Edifício comercial ou industrial | R$ 8.000 a R$ 40.000+ |
| Laudo de vistoria (locação) | Apartamento residencial | R$ 500 a R$ 2.000 |
| Laudo pericial judicial | Qualquer porte | R$ 5.000 a R$ 50.000+ |
| Laudo de manutenção técnica | Edifício residencial | R$ 1.500 a R$ 8.000 |
Além disso, laudos que incluem ensaios complementares — como carbonatação, potencial de corrosão ou termografia — podem apresentar custos adicionais de R$ 500 a R$ 5.000, dependendo do tipo e da quantidade de ensaios realizados.
O Laudo Predial Como Investimento — Custo x Benefício Real
Muitos proprietários enxergam o laudo predial como um custo. Entretanto, a perspectiva correta é a de investimento — com retorno mensurável e comprovável.
No entanto, considere este exemplo concreto: um laudo predial estrutural em um apartamento custa, em média, R$ 3.000. Esse mesmo laudo pode identificar uma infiltração em fase inicial, cuja correção preventiva custa R$ 8.000. Por outro lado, se essa infiltração não for tratada e atingir as armaduras da laje, o custo de reparo pode facilmente ultrapassar R$ 60.000.
Portanto, o laudo não custou R$ 3.000. Na verdade, ele economizou R$ 57.000.
Além dessa economia direta, o laudo predial gera outros retornos:
- Na compra: permite negociar descontos equivalentes ao custo de correção das anomalias identificadas. Consequentemente, o comprador recupera o valor investido no laudo — e ainda economiza.
- Na venda: reduz o tempo de negociação e diminui as tentativas de barganha do comprador. Além disso, justifica tecnicamente o preço pedido.
- Na locação: evita disputas custosas ao final do contrato — que frequentemente resultam em acordos desvantajosos ou processos judiciais longos e caros.
- Na manutenção: permite planejar intervenções de forma preventiva, distribuindo custos ao longo do tempo — em vez de concentrá-los em emergências imprevisíveis.
Portanto, o laudo predial é, consistentemente, o investimento com melhor custo-benefício disponível para qualquer proprietário de imóvel.
Laudo Predial É Proteção, Não Burocracia
Ao longo deste guia, você compreendeu o que é um laudo predial, para que ele serve e como utilizá-lo de forma estratégica. Além disso, aprendeu seus direitos como proprietário ou comprador — e descobriu que a documentação técnica é sua melhor aliada em qualquer transação imobiliária.
A conclusão é simples e direta: o laudo predial não é burocracia. É proteção.
Ele protege seu investimento antes da compra. Além disso, protege seu patrimônio durante a posse. E, finalmente, protege seus direitos em qualquer disputa judicial.
O proprietário que investe em laudos preventivos evita emergências caras. O comprador que exige laudo antes de assinar evita adquirir problemas invisíveis. Por outro lado, quem ignora essa documentação assume riscos desnecessários — financeiros, estruturais e jurídicos.
O mercado imobiliário brasileiro está mudando. Nesse contexto, compradores passam a exigir, cada vez mais, documentação técnica. Paralelamente, municípios ampliam as obrigatoriedades, enquanto tribunais consolidam decisões favoráveis àqueles que documentam com rigor.
Portanto, o laudo predial deixou de ser um diferencial. Hoje, ele é uma necessidade.
Inicialmente, todos os itens que não estiverem conforme o memorial descritivo devem ser registrados no laudo e incluídos no Termo de Pendências. Em seguida, a construtora deve corrigir esses itens antes da emissão do habite-se definitivo.
Seja para comprar com segurança, vender com transparência, manter com responsabilidade ou se defender com respaldo técnico: a Barbosa Estrutural é o parceiro que você precisa.
Entre em contato e solicite seu laudo predial hoje.
