NOSSOS BLOG

Dicas e Artigos para você se manter atualizados

Quanto ganha um perito avaliador de imóveis?

perito

O mercado imobiliário brasileiro movimenta trilhões de reais por ano. Por trás de cada transação importante — compra, venda, financiamento ou disputa judicial — existe um profissional essencial: o perito avaliador de imóveis.

Apesar disso, a profissão ainda é pouco conhecida. Perguntas como “quanto ganha um perito avaliador?” ou “como se tornar um perito judicial?” aparecem com frequência em fóruns e grupos de engenharia. No entanto, raramente recebem respostas completas e atualizadas.

Este guia foi criado para mudar isso. Aqui você vai encontrar salários detalhados por nível e região, honorários para perícias judiciais, caminhos de formação e as tendências que vão transformar a profissão até 2026. Os dados são baseados no CAGED, nas tabelas do CREA, nas normas do IBAPE e em pesquisas de mercado dos últimos três anos.

Se você está avaliando a carreira, quer contratar um perito ou precisa entender o valor do serviço, este é o guia mais completo disponível em português sobre o tema.

O que é um Perito Avaliador de Imóveis?

Definição técnica e legal

O perito avaliador de imóveis é o profissional habilitado para determinar o valor de um bem imóvel. Isso inclui terrenos, edificações, empreendimentos e frações ideais. O trabalho segue metodologia técnica e respaldo normativo.

O produto final do perito é o laudo de avaliação. Esse documento segue as diretrizes da NBR 14653, da ABNT. Ele pode ser usado em negociações, financiamentos, processos judiciais, inventários e desapropriações.

É importante distinguir o perito do corretor de imóveis. O corretor intermedia negociações. O perito, por sua vez, avalia tecnicamente o bem e emite um parecer fundamentado. Enquanto o corretor é registrado no CRECI, o perito avaliador é, em regra, um engenheiro civil ou arquiteto registrado no CREA ou no CAU.

Existe ainda o avaliador certificado pelo IBAPE e o profissional com o título CNAI, vinculado ao COFECI. O CNAI, contudo, é restrito a corretores com especialização em avaliação. Para laudos judiciais e de maior complexidade, a designação recai sobre profissionais com registro no CREA ou CAU.

Diferença entre perito, vistoriador e inspetor predial

O mercado imobiliário conta com vários especialistas. Por isso, a confusão entre os títulos é comum. Veja as principais diferenças:

O perito avaliador determina o valor econômico do imóvel. Ele usa métodos reconhecidos pela NBR 14653, como o método comparativo e o método da renda. Seu laudo tem validade técnica e jurídica.

O vistoriador, por outro lado, faz uma inspeção descritiva do estado físico do imóvel. Ele verifica rachaduras, umidade e instalações. No entanto, ele não atribui necessariamente um valor de mercado. É comum em locações e em processos de financiamento.

Já o inspetor predial analisa as condições de segurança de edificações verticais. Ele emite um laudo com classificação de risco (nível 1, 2 ou 3), conforme a NBR 13752. Sua atuação é preventiva e não envolve avaliação de valor.

O perito judicial, por fim, é nomeado pelo juiz. Ele pode ser um perito avaliador — quando a disputa envolve o valor do imóvel — ou um perito de engenharia diagnóstica, quando o litígio trata de vícios construtivos.

Na prática, muitos profissionais acumulam mais de uma dessas competências. Isso amplia o escopo de atuação e aumenta a renda.

Por que o registro no CREA ou CAU é indispensável

O registro profissional é a base legal da atuação do perito avaliador. Sem ele, o laudo não tem validade perante instituições financeiras, cartórios ou o Poder Judiciário. Além disso, o profissional fica sujeito a sanções administrativas e penais.

O engenheiro civil se registra no CREA da sua região. O arquiteto e urbanista, por sua vez, se registra no CAU. Ambos os conselhos regulamentam a emissão de ARTs e RRTs — documentos que formalizam cada trabalho realizado.

Para atuar em outro estado, o perito precisa de um visto de habilitação no CREA ou CAU local. O processo costuma ser ágil, mas deve ser feito antes da entrega de qualquer laudo.

A certificação do IBAPE e o cadastro no CNAI não substituem o registro no CREA ou CAU. No entanto, agregam credibilidade e abrem portas em licitações, concursos públicos e contratações por grandes instituições financeiras.

Quanto Ganha um Perito Avaliador de Imóveis

Salário médio do perito avaliador no Brasil

Esta é a pergunta mais frequente sobre a profissão. Também é a mais difícil de responder com um único número. Isso porque a remuneração do perito avaliador varia bastante conforme o regime de contratação, a experiência, a região e o tipo de trabalho.

Com base em dados do CAGED, do Glassdoor Brasil, do Indeed e do Catho (2022–2025), é possível traçar o seguinte panorama:

NívelCLT (mensal)Autônomo / por laudoPerfil
Júnior (0–3 anos)R$ 3.200 – R$ 5.000R$ 800 – R$ 2.500Laudos simples residenciais
Pleno (3–7 anos)R$ 5.000 – R$ 8.500R$ 2.500 – R$ 6.000Laudos residenciais, comerciais e alguns judiciais
Sênior (7–15 anos)R$ 8.500 – R$ 15.000R$ 6.000 – R$ 20.000+Perícias judiciais e grandes empreendimentos
Especialista (15+ anos)R$ 15.000 – R$ 30.000+R$ 15.000 – R$ 80.000+Laudos corporativos e desapropriações complexas

Esses valores são brutos. No regime CLT, o INSS e o IRRF reduzem o valor líquido. Para autônomos pessoa física, incidem o ISS (2% a 5%) e a contribuição ao INSS.

Quanto ganha o perito avaliador por região

A geografia influencia muito a remuneração do perito. Em mercados com mais transações imobiliárias e maior presença de construtoras, a demanda por laudos cresce. Consequentemente, os honorários sobem também.

Região / EstadoSalário médio CLT (pleno)Observação
São Paulo (capital)R$ 7.500 – R$ 12.000Maior mercado e maior renda
Rio de JaneiroR$ 6.500 – R$ 10.000Grande demanda judicial e corporativa
Minas Gerais (BH)R$ 5.500 – R$ 8.500Crescimento acelerado na construção
Paraná / Santa CatarinaR$ 5.000 – R$ 8.000Mercado aquecido no litoral e interior
Rio Grande do SulR$ 4.800 – R$ 7.500Demanda crescente pós-reconstrução (2024)
Goiás / DFR$ 5.500 – R$ 9.000Alta demanda por avaliações de terrenos
Nordeste (Salvador, Recife, Fortaleza)R$ 4.000 – R$ 7.000Mercado crescente, honorários abaixo da média
Interior do BrasilR$ 3.200 – R$ 5.500Menor volume de demanda

CLT ou autônomo: o que paga mais para o perito?

A comparação entre CLT e autônomo é um dos dilemas mais comuns entre peritos avaliadores. A resposta depende do estágio da carreira.

Para quem está começando, o regime CLT oferece segurança. O salário fixo, o FGTS, o 13º e as férias compensam a remuneração menor. Construtoras, bancos e seguradoras contratam peritos com carteira assinada para demandas de alto volume, como avaliações para financiamentos habitacionais.

O autônomo, por outro lado, pode multiplicar sua renda ao construir uma carteira diversificada. Isso inclui laudos para pessoas físicas, contratos com imobiliárias e parcerias com escritórios de advocacia. Um perito sênior autônomo bem posicionado em São Paulo pode faturar entre R$ 20.000 e R$ 60.000 por mês. No entanto, esse nível exige anos de reputação e especialização.

A opção PJ para o perito avaliador

Existe ainda uma terceira via: a pessoa jurídica (PJ). Nesse modelo, o perito abre uma empresa e emite notas fiscais de serviços. Assim, reduz a carga tributária via Simples Nacional ou Lucro Presumido. Além disso, mantém a flexibilidade do autônomo com mais profissionalismo perante os contratantes.

Honorários por tipo de laudo

Para quem atua como autônomo, a precificação por laudo é a principal forma de ganhar. Os valores variam conforme a complexidade, o tipo de imóvel e o uso do laudo:

Tipo de laudoHonorários
Parecer técnico de valor (PTV) residencial simplesR$ 800 – R$ 2.000
Laudo completo NBR 14653 residencialR$ 2.000 – R$ 5.000
Laudo comercial / sala / lojaR$ 2.500 – R$ 6.000
Laudo industrial / galpão logísticoR$ 5.000 – R$ 15.000
Laudo para financiamento bancárioR$ 600 – R$ 2.500
Laudo judicial (honorários periciais)R$ 5.000 – R$ 80.000+
Laudo de grandes empreendimentosR$ 30.000 – R$ 200.000+

Fatores que Influenciam o Salário do Perito Avaliador

Como a localização afeta a renda

A remuneração do perito avaliador está diretamente ligada ao valor médio dos imóveis na região. Em praças onde o metro quadrado custa R$ 15.000 — como Jardins (SP) ou Ipanema (RJ) —, um apartamento de 120m² já vale R$ 1,8 milhão. Por isso, um honorário de apenas 0,3% sobre esse valor representa R$ 5.400 por laudo.

Além do valor dos imóveis, o volume de transações é determinante. Estados com economias mais dinâmicas geram demanda constante por avaliações. Consequentemente, há menos pressão para aceitar honorários abaixo do mercado.

Tipo de imóvel: como a complexidade define o honorário do perito

Nem todos os laudos exigem o mesmo esforço. A avaliação de um apartamento padrão em condomínio vertical pode ser concluída em um a três dias. Já a avaliação de um complexo industrial ou de um terreno em área ambiental pode levar semanas.

Essa complexidade se traduz em honorários maiores. As avaliações de imóveis rurais, por exemplo, exigem conhecimento de produtividade agrícola, georreferenciamento e legislação ambiental. Como poucos profissionais dominam essa área, a remuneração é proporcionalmente maior.

Da mesma forma, imóveis com questões jurídicas — como usucapião, ônus real ou edificações irregulares — também demandam análise mais cuidadosa. Isso reflete diretamente nos honorários.

Perícia judicial vs. extrajudicial: o impacto no ganho do perito

A distinção entre perícia judicial e avaliação extrajudicial é uma das mais relevantes para a remuneração.

Nas avaliações extrajudiciais (para compra e venda, financiamento ou seguro), os honorários são negociados diretamente. Há mais flexibilidade, mas também mais pressão por preços menores — especialmente quando o contratante é um banco que negocia em volume.

Nas perícias judiciais, por sua vez, o perito é nomeado pelo juiz. Os honorários são fixados com base nas tabelas dos Tribunais de Justiça e nas diretrizes do CREA. Além disso, o pagamento é garantido pelo processo. Para casos complexos, como desapropriações, os honorários podem ultrapassar R$ 100.000.

Certificações que aumentam o ganho do perito avaliador

O mercado recompensa quem investe em qualificação. As certificações que mais impactam a remuneração são:

Certificação IBAPE: Confere o título de Engenheiro de Avaliações e Perícias. É reconhecida por tribunais, bancos e grandes empresas. Profissionais certificados costumam cobrar entre 20% e 40% a mais do que a média de mercado.

Especialização em imóveis rurais: Poucos profissionais dominam essa área. Por isso, a escassez gera honorários elevados, especialmente com o crescimento do crédito rural e das disputas no agronegócio.

Pós-graduação em Engenharia de Avaliações: Cursos lato sensu (360 a 600 horas) abrem portas no setor público, em universidades e em consultorias de alto padrão.

Domínio de softwares de AVM: Peritos que dominam ferramentas de geoprocessamento (QGIS, ArcGIS) e modelos estatísticos de regressão se destacam em avaliações de grande escala para bancos e fundos imobiliários.

Honorários do Perito em Perícias Judiciais

Como o perito avaliador é nomeado pelo juiz

Quando uma das partes pede uma perícia de avaliação imobiliária, o juiz nomeia um perito de sua confiança. Geralmente, ele é escolhido de um cadastro mantido pelo tribunal ou indicado pelo CREA local.

O perito nomeado deve aceitar formalmente o encargo. Em seguida, apresenta a proposta de honorários e o prazo de entrega do laudo. A aceitação não é obrigatória — o perito pode recusar por impedimento, suspeição ou incompatibilidade de agenda. Contudo, recusas frequentes sem justificativa podem levar à exclusão do cadastro do tribunal.

Tabelas de honorários para o perito judicial

Não existe uma tabela federal unificada de honorários. Cada Tribunal de Justiça estadual tem suas próprias diretrizes. Paralelamente, o CREA de cada estado publica tabelas referenciais para serviços de engenharia, incluindo avaliações e perícias.

Essas tabelas servem como piso negociável. Na prática, contudo, não são de cumprimento obrigatório em processos cíveis comuns.

De modo geral, os honorários periciais são compostos por três elementos:

  • Honorários base: calculados pela complexidade do laudo, pelo valor do imóvel e pelo tempo estimado de trabalho.
  • Despesas reembolsáveis: deslocamento, fotografias, consultas a cartórios e reprodução de documentos.
  • Adicional de urgência: aplicável quando o juiz fixa prazo exíguo para a entrega.

Como o perito avaliador recebe em processos judiciais

Em processos cíveis, a parte que pediu a perícia deposita os honorários em juízo. Isso é condição para a realização do trabalho. O valor é liberado ao perito após a entrega e aceitação do laudo.

Em ações de desapropriação ou processos com a Fazenda Pública, o pagamento pode ocorrer via precatório ou RPV. Isso introduz prazos adicionais. No entanto, garante a segurança jurídica do recebimento.

Essa segurança, aliás, é uma das grandes vantagens da perícia judicial. Em avaliações extrajudiciais, o risco de inadimplência é sempre presente.

Quando os honorários podem ser excepcionais

Alguns casos se tornam referência pelos honorários incomuns. Desapropriações de grandes áreas urbanas, avaliações de shopping centers ou plantas industriais em disputas societárias — nesses cenários, os honorários podem ultrapassar R$ 200.000 por caso.

Para alcançar esse patamar, o perito precisa de histórico sólido de laudos bem fundamentados e reputação junto aos tribunais. Frequentemente, também é necessário ter especialização ou reconhecimento acadêmico na área.

Onde o Perito Avaliador Pode Trabalhar

O perito avaliador nas instituições financeiras

O setor bancário é um dos maiores contratantes de peritos avaliadores no Brasil. Toda operação de crédito imobiliário — pelo SFH, pelo Minha Casa Minha Vida ou pelo crédito livre — exige avaliação formal do imóvel dado em garantia. Só a Caixa Econômica Federal realiza centenas de milhares de avaliações por ano.

Os peritos credenciados junto a bancos recebem demandas diretamente das instituições. Eles seguem padrões rígidos de formatação dos laudos, muitos deles digitais. O honorário unitário pode ser menor do que em laudos particulares. Por outro lado, o volume garante previsibilidade de receita.

Construtoras, incorporadoras e fundos imobiliários

No mercado privado, construtoras e incorporadoras precisam de avaliações para vários fins: aquisição de terrenos, viabilidade de empreendimentos e revisão do Valor Geral de Vendas (VGV).

Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), por sua vez, superaram 2 milhões de cotistas em 2024. Eles são obrigados por regulação a contratar avaliações periódicas de seus imóveis. Isso gera uma demanda contínua e crescente.

Peritos que dominam a avaliação de grandes empreendimentos constroem carreiras muito lucrativas. Um relatório de portfólio de galpões logísticos pode gerar honorários de R$ 50.000 a R$ 300.000 por contrato.

O perito avaliador no Poder Judiciário e no Ministério Público

O Poder Judiciário demanda avaliações imobiliárias em vários contextos. Entre eles: inventários judiciais, partilhas em divórcios litigiosos, ações de usucapião e execuções fiscais com penhora de imóveis.

O Ministério Público, por sua vez, contrata peritos em investigações de improbidade administrativa envolvendo imóveis públicos subavaliados ou superavaliados.

A presença constante nesses ambientes consolida o perito como profissional de referência. Cada laudo bem conduzido tende a gerar novas nomeações.

Cartórios e tabelionatos

Cartórios de notas e registros de imóveis solicitam avaliações para fins de escrituras. Um exemplo é a doação com reserva de usufruto, onde o ITCMD incide sobre o valor do bem.

Com a digitalização crescente dos cartórios, a demanda por laudos integrados a plataformas digitais tende a crescer nos próximos anos.

Escritório próprio: a rota mais lucrativa para o perito sênior

Peritos sêniores frequentemente optam por montar seus próprios escritórios de avaliação e perícia. Eles prestam serviços a pessoas físicas, empresas, escritórios de advocacia e órgãos públicos. Esse modelo oferece maior flexibilidade e o maior potencial de remuneração.

Em grandes centros, escritórios consolidados faturam de R$ 500.000 a vários milhões de reais por ano. Eles trabalham com equipes de dois a dez profissionais e contratos recorrentes com bancos, fundos e incorporadoras.

Como se Tornar um Perito Avaliador de Imóveis

Formação necessária

O ponto de partida é a graduação. As profissões que habilitam legalmente a avaliação imobiliária no Brasil são: Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Engenharia de Agrimensura e Cartografia e, em contextos específicos, Engenharia Agronômica (para imóveis rurais).

O curso dura em média 5 anos. O registro profissional no CREA ou CAU é obrigatório antes de qualquer atividade.

As disciplinas mais relevantes durante a graduação são: topografia, instalações prediais, cálculo estrutural, orçamento de obras, legislação urbanística e direito civil aplicado à engenharia.

Especializações que diferenciam o perito avaliador no mercado

A graduação fornece a base técnica. No entanto, a especialização é o que diferencia o perito no mercado. Diversas instituições oferecem pós-graduação lato sensu em Engenharia de Avaliações e Perícias, com carga horária entre 360 e 600 horas.

Entre as mais reconhecidas estão o IPT (SP), a POLI-USP (extensão), o IBAPE Nacional e várias universidades federais com programas em engenharia urbana.

Esses cursos cobrem metodologias de avaliação, estatística aplicada, laudos de danos em obras, perícia judicial e elaboração de documentos conforme a NBR 14653.

Certificação IBAPE e CNAI para

O IBAPE realiza provas de certificação em nível regional e nacional. A aprovação confere o título de Engenheiro de Avaliações e Perícias. Essa credencial é exigida em algumas licitações públicas e aumenta a confiança dos contratantes privados.

O CNAI, por sua vez, é voltado para corretores de imóveis com especialização em avaliação. Embora não substitua o registro no CREA/CAU para laudos complexos, é um diferencial para quem deseja emitir PTVs em transações imobiliárias.

Primeiros passos práticos na carreira do perito

O início de carreira passa, em muitos casos, por trabalhar como assistente de um perito experiente. Isso inclui participar de vistorias, coletar dados de mercado e aprender a estrutura de um laudo completo. Esse aprendizado prático é insubstituível.

O credenciamento junto a bancos é um caminho comum nos primeiros anos. O volume de laudos garante renda enquanto o profissional constrói portfólio e reputação.

Com dois a três anos de experiência documentada, é possível pleitear indicações como perito judicial — o que representa um salto importante na carreira.

Manter-se atualizado é essencial. A NBR 14653 passou por revisões importantes na última década. Além disso, critérios ESG e certificações verdes (LEED, AQUA-HQE) já começam a impactar o valor de mercado de edificações corporativas.

Tendências e Futuro do Perito Avaliador (2023–2026)

Como a tecnologia está mudando o trabalho do perito

A tecnologia está transformando a avaliação imobiliária. Os AVMs (Automated Valuation Models) estimam o valor de um imóvel com base em algoritmos treinados em grandes volumes de dados. Plataformas como Zap Imóveis e OLX já oferecem estimativas automáticas.

Isso não elimina o perito. Pelo contrário, muda seu papel. O profissional passa a ser responsável por validar, contextualizar e contestar os resultados dos AVMs. Imóveis atípicos, propriedades com vícios ocultos e situações jurídicas complexas continuarão a exigir julgamento humano especializado.

Além disso, ferramentas de geoprocessamento — como QGIS, ArcGIS e Google Earth Engine — e análise de dados com Python ou R já são realidade entre os peritos mais avançados. Essas competências devem se tornar requisito básico até 2026.

Novas normas da ABNT

A NBR 14653 continua em processo de revisão. As partes 1, 2, 3, 4 e 7 são periodicamente atualizadas pelo comitê técnico da ABNT.

As revisões mais recentes incorporam critérios de sustentabilidade. Isso reconhece que imóveis com certificações verdes (LEED, AQUA-HQE, EDGE) possuem valor de mercado superior. Peritos que acompanham essas mudanças ganham vantagem competitiva.

Crescimento do mercado e mais demanda

Entre 2022 e 2024, o mercado imobiliário brasileiro mostrou resiliência. O lançamento de empreendimentos residenciais — tanto no segmento econômico quanto no alto padrão — gerou demanda contínua por avaliações.

De acordo com dados da CBIC, houve crescimento de dois dígitos no número de unidades lançadas em 2023. Essa tendência se manteve em 2024.

Para 2025 e 2026, as projeções indicam continuidade do crescimento. O destaque fica para as capitais do Centro-Oeste e do Nordeste, onde o déficit habitacional ainda é alto e o crédito imobiliário está em expansão. Isso se traduz diretamente em mais demanda para o perito avaliador.

Avaliações ESG: um novo nicho para o perito

Uma das tendências mais relevantes para os próximos anos é a incorporação de critérios ESG na avaliação de imóveis. Isso é especialmente verdadeiro em empreendimentos corporativos, galpões logísticos e fundos imobiliários.

Bancos como BNDES e IFC já exigem laudos que considerem eficiência energética, gestão de água e emissões de carbono. Consequentemente, isso cria um nicho de especialização ainda pouco explorado no Brasil — e com honorários premium para quem dominar a metodologia.

Perguntas Frequentes sobre o Perito Avaliador de Imóveis

Quanto ganha um perito avaliador iniciante?

Um profissional com 0 a 3 anos de experiência ganha em média entre R$ 3.200 e R$ 5.000 por mês no regime CLT. Como autônomo, os primeiros laudos costumam ser remunerados entre R$ 800 e R$ 2.500 cada.

Qual é o salário máximo que o perito avaliador pode alcançar?

Peritos especialistas com mais de 15 anos de atuação podem faturar acima de R$ 30.000 mensais. Em casos excepcionais de desapropriação ou perícias complexas, os honorários por processo ultrapassam R$ 100.000.

O perito avaliador precisa de registro no CREA?

Sim. Engenheiros civis e profissionais afins precisam do registro no CREA. Arquitetos e urbanistas se registram no CAU. Sem esse registro, o laudo não tem validade legal.

Quanto tempo leva para se tornar perito avaliador?

A formação mínima exige 5 anos de graduação mais o registro no CREA ou CAU. Para laudos complexos e perícias judiciais, acrescente 1 a 2 anos de pós-graduação e alguns anos de experiência prática.

Vale a pena a certificação IBAPE para o perito?

Sim, especialmente para quem quer atuar em grandes contratos com bancos, fundos imobiliários e perícias judiciais de alto valor. Na prática, a certificação permite cobrar honorários 20% a 40% acima da média.

Um corretor de imóveis pode fazer o trabalho do perito avaliador?

Corretores com CNAI podem emitir pareceres técnicos de valor (PTVs) para orientação em compra e venda. No entanto, laudos com validade judicial e laudos para financiamento bancário exigem registro no CREA ou CAU.

Qual a diferença entre laudo do perito e parecer técnico de valor?

O laudo é um documento técnico completo, desenvolvido conforme a NBR 14653. Ele inclui metodologia, amostras de mercado, tratamento estatístico e conclusão fundamentada. O PTV é mais simples, adequado para negociações de menor complexidade. Bancos e tribunais exigem o laudo completo.

O perito avaliador pode ser responsabilizado pelo laudo?

Sim. O perito responde civil e penalmente pela veracidade e correção técnica do laudo. Um erro grave — especialmente em perícias judiciais — pode resultar em condenação por perdas e danos. Por isso, muitos profissionais contratam seguro de responsabilidade civil.

Qual é a tendência salarial para o perito avaliador?

A tendência é de crescimento. Isso se deve ao aumento dos financiamentos imobiliários, à expansão dos FIIs, à digitalização do mercado e aos novos nichos como ESG e imóveis rurais. Peritos com domínio de tecnologia e normas internacionais (IVSC) terão os maiores ganhos.

Quanto custa contratar um perito avaliador?

Para um imóvel residencial padrão, um laudo completo custa entre R$ 2.000 e R$ 5.000. Para imóveis comerciais ou industriais, os honorários variam de R$ 5.000 a R$ 15.000. Em perícias judiciais e grandes empreendimentos, os valores são negociados caso a caso e podem superar R$ 100.000.

Conclusão

A carreira do perito avaliador de imóveis combina dois ativos muito valorizados no mercado brasileiro: alta demanda estrutural e escassez de profissionais qualificados.

O profissional que investe na formação correta — graduação em Engenharia Civil ou Arquitetura, especialização em avaliações, certificação IBAPE e atualização nas ferramentas tecnológicas do setor — não encontrará falta de trabalho. A trajetória típica vai de R$ 3.000 a R$ 5.000 nos primeiros anos, chegando a R$ 10.000 a R$ 30.000 ao longo de uma década de dedicação.

O mercado imobiliário não para. Sempre haverá imóveis a avaliar, disputas a resolver e investimentos a mensurar. Por trás de cada uma dessas operações, haverá a necessidade de um perito avaliador técnico, ético e atualizado.

Entre em contato agora e tire suas dúvidas


Leia também

Gostou deste conteúdo? Compartilhe!